HOME > EDICIONES > Año 2003, Volumen 53 - Número 1
Trabajos de Investigación
Efeito de um novo produto fermentado de soja sobre os lípides séricos de homens adultos normocolesterolêmicos
Elizeu Antonio Rossi, Regina Célia Vendramini, Iracilda Zeppone Carlos, Maurício Gonçalves de Oliveira, Graciela Font de Valdez Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas-UNESP-Araraquara.
|
RESUMO Efeito de um novo produto fermentado de soja sobre os lípides séricos de homens adultos normocolesterolêmicos O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito da ingestão diária de um novo produto de soja, fermentado com Enterococcus faecium e Lactobacillus jugurti sobre os níveis de lípides séricos de indivíduos normocolesterolêmicos, adultos e do sexo masculino. O estudo foi randomizado, duplo cego e controlado por placebo, com duração de 6 semanas. Quarenta e quatro voluntários, com idade entre 40 e 55, anos foram aleatoriamente separados em 2 grupos: um que recebeu diariamente 200 ml do produto fermentado (grupo F) e o outro que recebeu 200 ml de placebo (grupo P). Amostras de sangue foram retiradas no início do estudo e depois de 3 e 6 semanas e analisadas quanto aos níveis de colesterol total, HDL-colesterol e triglicérides. A concentração do LDL-colesterol foi obtida por cálculo. Os resultados mostraram que nenhuma alteração significativa foi observada nos níveis de colesterol total, LDL-colesterol e triglicérides do grupo F, durante o período de 6 semanas, enquanto que o nível do HDL-colesterol se mostrou significativamente aumentado (p£ 0,05) ao final do mesmo período. No grupo P, o colesterol total e o LDL-colesterol apresentaram-se com um aumento significativo (p£ 0,05) ao final de 6 semanas, em relação aos valores iniciais, mas sem alterações nos níveis de HDL-colesterol e triglicérides. Em conclusão, a ingestão de 200 ml/dia do produto de soja fermentado foi capaz de manter inalterada a concentração de colesterol total e de LDL-colesterol, e de aumentar em 10% o nível do HDL-colesterol, nas condições de estudo.
Palavras-chave: Colesterol, soja, fermentação.
SUMMARY Effect of a new fermented soy milk product on serum lipid levels in normocholesterolemic men This study was undertaken to verify the effect of a daily intake of a new fermented soy milk produced with Enterococcus faecium and Lactobacillus jugurti on the serum lipid levels in normocholesterolemic middle-aged men. The study was randomized, double-blind and placebo-controlled and was performed for a period of 6 weeks. Forty-four normocholesterolemic healthy, male volunteers, aged 40-55 years old were randomly separated in two groups: The F-group received 200 ml of the fermented product daily and the P-group received 200 ml of placebo (chemically fermented). The blood samples were drawn initially and after 3 and 6 weeks and serum values for total cholesterol, HDL-cholesterol and triglyceride were determined. The LDL-cholesterol value was estimated. No significant changes in the fermented group (F) were observed for total cholesterol, LDL-cholesterol or triglyceride levels, while the HDL-cholesterol level was significantly higher (p£ 0,05) after 6 weeks. The total cholesterol and LDL-cholesterol levels were significantly higer (p£ 0,05) in the placebo group (P), but no changes were found for the HDL-cholestrol and triglyceride levels during the experimental period. In conclusion, the intake of 200 ml/day of the fermented soy milk, produced with E.faecium and L. jugurti , for 6 weeks, did not affect the serum total cholesterol and LDL-cholesterol, and led an increase of 10% in the HDL-cholesterol level.
Keywords: Cholesterol, soybean, fermentation.
INTRODUÇÃO
Os alimentos fermentados têm se constituído em importantes componentes da
dieta devido não somente as suas características nutricionais, mas também, às
suas propriedades profiláticas e/ou terapêuticas, dentre as quais, destaca-se
o efeito hipocolesterolêmico.
Vários estudos têm investigado
o efeito redutor de colesterol de certas bactérias láticas presentes em
determinados produtos fermentados (1-6). Entretanto, a maioria desses estudos
foi realizada com o Lactobacillus acidophilus, não havendo muita informação
sobre outras bactérias que poderiam apresentar efeitos similares.
Dentro desse contexto, Rossi et
al (7) realizaram um estudo com o Enterococcus faecium e demonstraram a
capacidade in vitro desse microrganismo de reduzir em aproximadamente 54%
o colesterol adicionado ao meio de cultivo. Apoiados nesses resultados, foi
desenvolvido um produto de soja fermentado com o E. faecium associado ao Lactobacillus
jugurti, o qual apresentou propriedades tecnológicas e sensoriais
semelhantes aos fermentados tradicionais (8). O efeito hipocolesterolêmico
desse produto foi verificado em coelhos machos, hipercolesterolêmicos e com
idade de 8 semanas. Os resultados mostraram que uma dose de 10 ml/dia,
administrada durante 30 dias, foi capaz de reduzir o nível de colesterol total
em 18,4% e de aumentar a fração HDL em 17,8% (9). Considerando a importância
de se conhecer o comportamento deste produto em humanos, o presente estudo foi
conduzido com o objetivo de avaliar o efeito decorrente da sua ingestão diária,
sobre os níveis de lípides séricos de indivíduos normocolesterolêmicos,
adultos e do sexo masculino.
MATERIAL E MÉTODOS
Material
Constituído por amostras de
"iogurte" de soja fermentado com Enterococcus faecium e Lactobacillus
jugurti e de placebo (produto não fermentado), ambos produzidos na Unidade
de Produção e Desenvolvimento de Derivados de Soja -UNISOJA da
FCF-UNESP-Araraquara.
Grupo de estudo
Constituído por 44 pessoas voluntárias
do sexo masculino, com idade entre 40 e 55 anos, que apresentavam níveis
normais de colesterol total, HDL-colesterol, triglicérides, glicose,
alanina-aminotransferase (ALT), aspartato-aminotransferase (AST) e creatininina.
Todos apresentavam pressão arterial abaixo de 130/85 mm Hg, não possuíam históricos
de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares ou metabólicas. Os voluntários
foram devidamente instruídos quanto ao tipo de estudo, objetivos, conduta
individual, medidas de segurança e considerações sobre riscos*.
Planejamento experimental
O estudo foi duplo cego, randomizado,
controlado por placebo e teve uma duração de 6 semanas.
Os indivíduos foram
aleatoriamente divididos em 2 grupos, cada um com 22 pessoas. Um grupo consumiu
diariamente 200 ml do produto fermentado (grupo F), enquanto o outro consumiu
diariamente 200 ml de placebo (grupo P). Todos foram orientados para que
mantivesse constante o horário de ingestão do produto ao longo do experimento.
Amostras de sangue foram
coletadas no início do estudo (determinação inicial) e no final da 3a
e 6a semanas, sempre no período da manhã, após um jejum de no mínimo
12 horas.
Obtenção do produto fermentado
O produto foi processado na Unidade de
Desenvolvimento e Produção de Derivados de soja -UNISOJA do Depto. de
Alimentos e Nutrição da FCF/UNESP, a cada 7 dias, de acordo com a metodologia
descrita por Rossi et al (10), tendo a seguinte constituição básica: extrato
aquoso de soja ("leite" de soja) acrescido de 8% de sacarose; 1,0% de
óleo de soja; 1% de lactose e 0,5% de gelatina. Como inóculo foi utilizado
1,5% (v/v) de cultivo E. faecium CRL 183 e 1,5% (v/v) de cultivo de L.
jugurti 416. O produto depois de fermentado apresentou a seguinte composição
química: 3,39% de proteína; 2,74% de lípides; 12,05% de carboidratos; 0,47%
de cinzas e 81,32% de umidade, fornecendo 864,2 Kcal/litro.
Cada lote de produto foi
submetido a uma quantificação de células viáveis, empregando-se meios de
cultivos específicos: M17 ágar e MRS ágar. As colônias formadas foram
contadas e tiveram suas características morfológicas observadas.
O placebo, de constituição idêntica
ao produto fermentado, apenas sem conter os microrganismos em estudo, foi
acidificado pela adição direta de ácido lático de grau alimentício, até
que fosse alcançado o pH idêntico ao do produto fermentado.
Dosagem dos lípides séricos
As dosagens do colesterol total, HDL-colesterol e triglicérides foram
realizadas em soros obtidos das amostras de sangue, por meio de "kits"
enzimáticos específicos:
-Para o colesterol total foi
empregado o método do "colesterol fast-color" (11).
-Para o HDL-colesterol, foi
necessário primeiramente realizar uma precipitação seletiva de lipoproteínas,
segundo a metodologia de Bergmeyer (12) e, posteriormente, determiná-lo pelo método
utilizado para o colesterol total.
-Os triglicérides foram
determinados pelo método do "triglicérides fast-color" (13).
Quanto ao LDL-colesterol, as concentrações foram calculadas por meio da equação
de Friedwald (14).
Análise estatística
Os dados foram submetidos à análise de
variância (ANOVA). As comparações, intra-grupos, das médias foram feitas
pelo teste de Newmaan-Kewls, por meio do programa GB-STAT para MS windows, versão
5.3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados clínicos dos indivíduos voluntários, observados no início do
estudo, mostraram que todos apresentavam-se sem deficiências renais ou hepáticas,
sem diabetes e não hipertensos, isto é: pressão arterial < 130/85 mm Hg
(Tabela 1).
TABELA 1
Dados clínicos dos indivíduos
pertencentes aos grupos de estudo
|
|
Nº de indivíduos
|
GF
|
GP
|
|
22
|
22
|
|
|
Pressão
arterial cistólica (mm Hg)
|
118,0 ± 3
|
116,0 ± 2
|
|
Pressão
arterial diastólica (mm Hg)
|
80,0 ± 1
|
78,0 ± 1
|
|
Colesterol
total (mg/dl)
|
208,0 ± 5
|
173,0 ± 4*
|
|
Colesterol
HDL (mg/dl)
|
46,0 ± 2
|
48,0 ± 2
|
|
Colesterol
LDL (mg/dl)
|
128,0 ± 4
|
101,0 ± 5*
|
|
Triglicérides
(mg/dl)
|
171,0 ± 18
|
118,0 ± 8*
|
|
Glicose
(mg/dl)
|
90,0 ± 7
|
94,0 ± 13
|
|
AST-Aspartato
amino transferase (U/l)
|
29,0 ± 6
|
30,0 ± 7
|
|
ALT-Alanina amino
transferase (U/l)
|
32,0 ± 10
|
31,0 ± 10
|
|
Creatinina
(mg/dl)
|
1,1 ± 0,1
|
1,0 ± 0,1
|
|
Todos os valores
representam as determinações realizadas antes do início do
estudo e são apresentados como média ± desvio padrão.
GF = grupo de indivíduos que consumiram o produto fermentado e
GP = grupo de indivíduos que consumiram o placebo.
* p £
0,001
|
Com exceção do colesterol
total, HDL-colesterol e triglicérides, que por conseqüência da distribuição
randômica apresentaram valores significativamente maiores (p£
0,05) para o grupo F, nenhuma diferença significativa foi observada entre os
dois grupos nos demais parâmetros avaliados.
Em todos os lotes dos produtos
fermentados, processados e utilizados durante os experimentos, foram realizadas,
em triplicata, as contagens de células viáveis (cocos e bacilos), as quais se
apresentaram sempre na ordem de 108 UFC/ml, tanto para o E.
faecium como para o L .jugurti ,número suficiente para que o produto
pudesse ser caracterizado como probiótico (15).
Após 3 semanas de consumo do
produto fermentado, o grupo F apresentou valor médio de colesterol total sem
diferença significativa do valor inicial e mesmo do valor observado para o período
de 6 semanas de estudo, isto é, o nível de colesterol total permaneceu
inalterado durante todo o período de estudo (Tabela 2). O mesmo não foi
observado para o grupo que consumiu o placebo (grupo P) cujo valor de 3 semanas
foi significativamente maior (p£
0,001) que o valor inicial e significativamente menor (p £
0,05) que o valor observado ao final de 6 semanas, demonstrando, ao contrário
do grupo F, que os níveis de colesterol total aumentaram em torno de 18% ao
longo do estudo.
TABELA 2
Concentração de lípides séricos nos
grupos de indivíduos que consumiram
produto fermentado e placebo, durante o período de estudo
|
| |
Inicial
|
3 Semanas
|
6 Semanas
|
|
|
Colesterol total
|
|
|
|
|
GF
|
208,0 ± 5,0
|
212,0 ± 5,0
|
212,0 ± 5,0
|
|
GP
|
173,0 ± 4,0
|
195,0 ± 6,0*a
|
205,0 ± 6,0*b
|
|
HDL-Colesterol
|
|
|
|
|
GF
|
46,0 ± 2
|
46,0 ± 1
|
51,0 ± 2*
|
|
GP
|
48,0 ± 2
|
48,0 ± 2
|
44,0 ± 2
|
|
LDL-Colesterol
|
|
|
|
|
GF
|
128,0 ± 4
|
133,0 ± 6
|
125,0 ± 5
|
|
GP
|
101,0 ± 5
|
125,0 ± 6*
|
132,0 ± 7*
|
|
Triglicerídeos
|
|
|
|
|
GF
|
171,0 ± 18
|
193,0 ± 17
|
174,0 ± 12
|
|
GP
|
118,0 ± 8
|
140,0 ± 13
|
144,0 ± 10
|
|
|
valores
expressos em mg/dl (média ± desvio-padrão)
GF = grupo que consumiu produto fermentado;
GP = grupo que consumiu placebo.
Comparação estatística intra-grupos: valores com letras diferentes
indicam diferença significativa
entre si para p £ 0,05;
* indica diferença significativa em relação ao
valor inicial, para p £
0,001.
|
Com relação ao HDL-colesterol,
os resultados mostraram que o grupo F apresentou uma elevação desses níveis,
chegando a um aumento de cerca de 10% ao final de 6 semanas (Tabela 2), enquanto
que o grupo P apresentou os valores inalterados durante todo o período.
Também na Tabela 2 encontram-se
os resultados referentes à fração LDL, cujos valores apresentaram-se sem
diferença significativa, durante o período de estudo, para o grupo F, mas
crescentes para o grupo P, indicando neste caso um aumento de aproximadamente
30% na 6a semana, em relação ao valor inicial. Esse resultado é
devido, em parte, ao aumento do colesterol total observado para o grupo P.
Para os triglicérides, os níveis
permaneceram sem alterações durante as 6 semanas de estudo, tanto para o grupo
F como para o grupo P, demonstrando que o produto fermentado não exerceu nenhum
efeito sobre esse lípide sérico.
Os valores das frações HDL e
LDL quando relacionados com o colesterol total ou entre si, permitem o
estabelecimento do grau de risco coronariano (14). Com base nos valores de referência
foi possível calcular o grau de risco coronariano para os dois grupos em
estudo. Pode-se notar na Figura 1 que para o grupo F, no início do estudo, 32%
dos indivíduos apresentavam um grau de risco moderado (RM) e ao final do estudo
esse percentual caiu para 14%. Consequentemente o percentual de indivíduos com
risco padrão (RP) ou baixo (RB) aumentou de 68% para 86%. Sem dúvida, o fato
da grande maioria dos indivíduos do grupo F terem, ao final do estudo, se
caracterizado como indivíduos de risco coronariano padrão ou baixo se deve ao
aumento dos níveis da fração HDL e a manutenção dos níveis de LDL e de
colesterol total.
FIGURA 1
Distribuição percentual dos indivíduos
em estudo em função do
grau de risco coronariano e do tempo de experimentação

GF = grupo que consumiu produto fermentado; GP = grupo que consumiu placebo.
RM = risco moderado; RP/RB = risco padrão ou risco baixo
Por outro lado, os indivíduos
do grupo P que no início do estudo apresentavam-se todos situados dentro do
risco padrão ou baixo, ao final da 6a semana apenas 54% permaneceram
nessa faixa de risco e os restantes (46%) passaram para a faixa de risco
moderado, fato este explicado certamente pelo aumento da fração LDL observado
para o grupo em questão.
Em trabalho semelhante realizado
por Agerbaek et al (16), os autores, utilizando também E.faecium e com
um planejamento experimental de 6 semanas, encontraram que o produto fermentado
levou a uma redução nos níveis de colesterol total, enquanto que o placebo
fez com que esses valores permanecessem inalterados. Entretanto, é válido
salientar que esses autores utilizaram o S.thermophilus como
microrganismo associado ao E. faecium e o leite de vaca como matéria-prima,
que segundo alguns pesquisadores, apresenta por si só um "fator de redução
do colesterol" (17-19). Esse estudo foi refeito por outros pesquisadores,
apenas aumentando o tempo de observação de 6 semanas para 6 meses. Os autores
concluíram que a redução da fração LDL no grupo que consumia o produto
fermentado, só era verificada até o primeiro mês de estudo. A partir disso,
os níveis dessa fração passaram a apresentar-se sem diferença significativa
para os dois grupos em estudo (20).
Desde a publicação do trabalho
pioneiro de Mann & Spoerry (21), demonstrando o efeito hipocolesterolêmico
de produtos fermentados com L. acidophilus, muitos outros trabalhos nesta
mesma linha têm sido apresentados e com eles um grande número de mecanismos
foram sugeridos, sem, entretanto, nenhum ter sido comprovado até o presente
momento.
Sendo assim, torna-se muito difícil
tentar propor alguma explicação viável para os efeitos observados nesse
estudo, principalmente pelo fato do efeito hipocolesterolêmico não ter sido
explicitamente evidenciado, mas sim de uma forma indireta (impedindo o aumento
do colesterol total no grupo F em relação ao grupo P). Por outro lado, o
efeito positivo do aumento da fração HDL permite supor uma provável ação do
produto fermentado ao nível da síntese do colesterol, não se aplicando neste
caso em particular, nenhum dos mecanismos baseados na desconjugação de sais
biliares pelos microrganismos do produto, condição que ocasionaria uma diminuição
na absorção do colesterol exógeno (3, 22, 5). Entretanto, os resultados desse
estudo, permitem afirmar que os efeitos observados para o grupo F são, sem dúvida,
dependentes da presença dos microrganismos no produto fermentado, cuja ação
poderia ser uma decorrência direta dessa presença ou então devido a algum
metabólito produzido durante o processo fermentativo.
Por outro lado, é sabido que a
soja apresenta componentes isoflavônicos que desempenham papel importante na
redução do colesterol (23, 24). Entretanto, não se pode atribuir a elas, nem
mesmo de forma parcial, os efeitos verificados no grupo F, uma vez que os mesmos
efeitos não foram observados no grupo P. Isso pode ser explicado provavelmente
pelo fato das isoflavonas terem sido eliminadas, em grande parte, no decorrer do
processamento do "leite" (25) que se constitui na matéria-prima básica
do produto fermentado em estudo.
CONCLUSÕES
Em conclusão, o consumo de 200
ml/dia do produto fermentado com E. faecium e L. jugurti, por um
período de 6 semanas, mostrou-se capaz de impedir um aumento do colesterol
total e da fração LDL e de propiciar uma elevação em cerca de 10% na fração
HDL. Essa situação permitiu que 86% dos indivíduos apresentassem grau de
risco coronariano padrão ou baixo ao final do estudo, evidenciando que o
produto pode conferir um "fator de proteção" a doenças ateroscleróticas.
Entretanto, esses resultados não podem ser extrapolados para indivíduos do
sexo feminino, hipercolesterolêmicos e com idade inferior a 40 ou superior a 55
anos, uma vez que o estudo foi conduzido apenas com pessoas do sexo masculino,
normocolesterolêmicas e com idade entre 40 e 55 anos.
AGRADECIMENTOS
Aos técnicos de laboratório
Roseli A. Pinto e Valéria Cristina O.Alves, ao grupo de voluntários do estudo,
ao PADC/FCF-UNESP e à FAPESP.
REFERÊNCIAS
-
Fukushima M, Nakano M. The
effect of a probiotic on faecal and liver lipid classes in rats. B J Nutr 1995;
73: 701-10.
-
Gilliland SE. Beneficial
interrelationships between certain microorganisms and humans: candidate
microorganisms for use as dietary adjuncts. J Food Prot 1979;42: 164-167.
-
GIlliland SE., Nelson CR ,
Maxwell C. Assimilation of cholesterol by Lactobacillus acidophilus. Appl
Environ Microbiol 1985; 49:.377-381.
-
Grunewald KK. Serum
cholesterol levels in rats fed skim milk fermented by Lactobacillus
acidophilus. J Food Sci 1982;.47:2078-79.
-
Klaver FAM, Meer van der R.
The assumed assimilation of cholesterol by Lactobacilli and Bifdobacterium
is due to their bile salt - desconjugating activity. Appl Environ Microbiol
1993; 59: 1120-1124.
-
Mann GV. A factor in yogurth
which lowers cholesterolemia in man. Atherosclerosis 1977; 26: 335-40.
-
Rossi EA, Giori GS, Holgado
APR, Valdez GF. In vitro effect of Enterococcus faecium and Lactobacillus
acidophilus on cholesterol. Microbiol Alim Nutr 1994;12:.267-70.
-
Rossi EA, Vendramini RC,
Carlos IZ, Pei YC, Valdez GF. Development of a novel fermented soymilk product
with potential probiotic properties. Eur Food Res Technol 1999;209:305-07.
-
Rossi EA, Vendramini RC,
Carlos IZ, Ueiji IS, Squinzari MM, Silva Jr SI, Valdez GF. Effects of a novel
fermented soy product on the serum lipids of hypercholesterolemic rabbits. Arq
Bras Cardiol 2000; 74: 213-16.
-
Rossi EA, Reddy KV, Silva
RSFS. Formulation of soy-whey-yogurt, using response surface methodology. Arq
Biol Tecnol 1984;7: 387-90.
-
Allain CA, Poon LS, Chan
CSG, Richmond W, Fu PC. Enzymatic determination of total serum cholesterol. Clin
Chem 1974; 20: 470.
-
Bergmeyer HW. Methods of
enzymatic analysis.2 ed. London: Academic Press, 1974, p.1890-3.
-
Fossati P, Prencipe L. Serum
triglycerides determined colorimetrically with an enzyme that produce hydrogen
peroxide. Clin Chem 1982; 29: 2077.
-
Friedewald WT, Levy RJ,
Frederickson DS. Estimation of the concentration of low-density lipoprotein
cholesterol in plasma, without use of the preparative centrifuge. Clin Chem.
1972; 18: 499-509.
-
Gonzales S, Albarracin G,
Locascio MRP. Prevention of infantile diarrohoea by fermented milk. Microbiol
Alim Nutr 1990;.8: .349-54.
-
Agerbaeck M, Gerdes LU,
Richelsen B. Hypocholesterolaemic effect of a new fermented milk product in
healthy middle-aged men. European J Clin Nutr 1995;.49:346-52.
-
Steinmetz KA, Childs MT,
Stimson C, Kushi LH, Mcgovern PG, Potter JD, Yamanaka Wk. Effect of consuption
of whole milk and skim milk on blood lipid profiles in healthy men. Am J Clin
Nutr 1994;.59: 612-8.
-
Richardson F. The
hypocholesterolemic effect of milk a review. J Food Protect 1978;.41:226-35.
-
Ahmed AA, McCarthy RD,
Porter GA. Effect of milk constituents on hepatic cholesterogenesis.
Atherosclerosis 1979; 32: 347-57.
-
Richelsen B, Kristensen K ,
Pedersen SB. Long-term (6 months) effect of a new fermented milk product on the
level of plasma lipoproteins – a placebo – controlled and double blind
study. Eur J Clin Nutr 1996;.50: 811-5.
-
Mann GV, Spoerry A. Studies
of a sufactant and cholesterolemia in the Maasai. Am J Clin Nutr 1974;, 27:
464-9.
-
Gilliland SE. Health and
nutritional benefits from lactic acid bacteria. FEMS Microbiol. Reviews
1990;.87: 175-88.
-
Anthony MS, Clarkson TB,
Hughes Jr CL, Morgan TM, Burke GL. Soybean isoflavones improve cardiovascular
risk factors without affecting the reproductive system of peripuberal rhesus
monkeys. J Nutr 1996; 126: 43-50.
-
Potter SM. Overview of
proposed mechanisms for the hypocholesterolemic effects of soy. J Nutr 1995;
125: 606S-611S.
-
Choi YB, Sohn HS. Recovery
of isoflavones from soybean cooking water produced during soymilk manufacturing
process. J Food Sci Technol 1997; 29: 522-6.
Nota
* Protocolo
aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa com seres humanos da Faculdade de Ciências
Farmacêuticas de Araraquara-UNESP.
Recibido: 19/03/2002 Aceptado: 03/01/2003
 |
PRIVACIDAD | ACCESIBILIDAD
ALAN-VE ISSN 0004-0622 - Depósito Legal: pp 199602DF83
Sociedad Latinoamericana de Nutrición
Producción editorial en Venezuela: Capítulo Venezolano - RIF: J-30843129-0
Urbanización Santa María, primera transversal, No. 417-214, Planta Alta
Tele-Fax: (+58-212) 283.8618
E-mail info@alanrevista.org
Código Postal: 1070
Caracas - Venezuela |
|
|