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Artículos Generales
Potencial de fibra alimentar em países ibero-americanos: alimentos, produtos e resíduos
Eliana B. Giuntini, Franco M. Lajolo, Elizabete W. de Menezes Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental de Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.
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RESUMO Potencial de fibra alimentar em países ibero-americanos: alimentos, produtos e resíduos A reduzida ingestão de fibra alimentar (FA) vem sendo associada ao aumento de inúmeras doenças crônico não transmissíveis. Nos últimos anos, muitos pesquisadores de países ibero-americanos vêm caracterizando adequadamente a FA em alimentos e em resíduos industriais, buscando tecnologia para produzir concentrados, desenvolvendo e testando produtos enriquecidos, a partir de alimentos regionais. O presente estudo visou, através da compilação de informações sobre FA, avaliar o potencial deste nutriente na região. Há uma grande disponibilidade de alimentos regionais e tradicionais com teor significativo de fibra alimentar como frutas, hortaliças e, principalmente, cereais e leguminosas. Fontes concentradas de FA, obtidas a partir de diferentes resíduos industriais, foram caracterizadas e avaliadas, podendo ser utilizadas no enriquecimento de alimentos. Alguns produtos enriquecidos vêm sendo testados, como biscoitos com torta de milho na Colômbia (produto contendo 16,8% de FA na base integral) e macarrão com fibra de tremoço no Chile (11,2%). No mercado cubano já se encontram produtos como pão de trigo integral (12%); produtos para fins especiais, como comprimidos de fibra de cítricos (55%) e alimentos para dieta enteral (1-1,9%). Os dados sobre conteúdo de FA apresentados neste trabalho representam alguns exemplos sobre o potencial deste nutriente nos países ibero-americanos, potencial este, que se mostrou bastante significativo. Cabe salientar, que a completa base de dados está disponível no web site do Projeto CYTED XI.6/CNPq (www.fcf.usp.br/cytedxi6) a qual apresenta o conteúdo de FA em 817 alimentos regionais, tradicionais e não convencionais, que podem ser conhecidos e utilizados por profissionais de diversas áreas.
Palavras chave: Fibra alimentar, alimentos, resíduos industriais.
SUMMARY Dietary fiber potential in Iberian-American countries: food, products and residues The reduced intake of dietary fiber (DF) has been associated with the increase in the incidence of several non-transmissible chronic diseases. Recently many researchers from Iberian-American countries have been studying DF of food and industrial residues in order to improve technological knowledge about concentrates production as well as the development and test of enriched products originated from regional food. The present study aimed to evaluate the regional DF potential based on compilation of data about this nutrient. There is great availability of regional and traditional food with considerable DF amounts as we may find in fruits, vegetables and cereals and legumes. Concentrated sources of DF obtained from different industrial residues were characterized and evaluated making possible their utilization in food enrichment. Cookies added to corn residues (16,8% DF in integral weight) in Colombia, and pasta added to lupine fiber in Chile (11,2%) are examples of tested enriched products. Products like bread with whole wheat (12%), products for especial uses as well as pills of citric DF (55%) and food for enteral diets (1-1,9%) are already available on Cuba market. The dietary fiber contents presented in this work allow us to have an idea of the potential of such nutrient in Iberian-American countries. Such potential has been proved to be considerably representative. It is worth to inform that the complete DF database is available on the CYTED XI.6/CNPq Project Web site (www.fcf.usp.br/cytedxi6). It provides data on 817 regional, traditional and not conventional foods, that can be searched and utilized by professional from different areas.
Key words: Dietary fiber, food, industrial residues.
INTRODUÇÃO
A preocupação com a manutenção da saúde e a prevenção de certas doenças
tem sido associada a uma ingestão adequada de fibra alimentar (FA) por parte
dos profissionais de saúde, e também por uma parcela da população atenta às
informações que, já há algum tempo, vêm sendo veiculadas.
A fibra alimentar (FA),
considerada o principal componente de vegetais, frutas e cereais integrais,
permitiu que estes alimentos pudessem ser incluídos na categoria dos alimentos
funcionais, pois a sua utilização dentro de uma dieta equilibrada pode reduzir
o risco de algumas doenças, como as coronarianas e certos tipos de câncer (1),
além de agregar uma série de benefícios (2).
Porém, a busca de dados de FA
freqüentemente esbarra na falta de informações corretas sobre o seu conteúdo
presente nos alimentos. Algumas tabelas de composição de alimentos utilizadas
ainda apresentam dados obtidos por métodos que quantificam a fibra bruta, muito
distante, portanto, do valor real da fibra alimentar total (FAT). A FA começou
a ser adequadamente quantificada através da utilização de métodos enzímicos-gravimétricos
e enzímicos-químicos, a partir da década de 90 (2,3).
A FA pode ser utilizada no
enriquecimento de produtos ou como ingrediente, pois é constituída de
polissacarídeos, lignina, oligossacarídeos resistentes e amido resistente,
entre outros, que tem diferentes propriedades físico-químicas. De maneira
geral, estas propriedades permitem inúmeras aplicações na indústria de
alimentos, substituindo gordura ou atuando como agente estabilizante,
espessante, emulsificante; desta forma, podem ser aproveitadas na produção de
diferentes produtos: bebidas, sopas, molhos, sobremesas, derivados de leite,
biscoitos, massas e pães. (4).
O conhecimento das propriedades
físico-químicas é importante para a produção de alimentos com boa textura e
sabor, porque a simples adição de elevadas quantidades de fibra nem sempre
resulta em produtos com características sensoriais desejáveis (5).
De acordo com Larrauri (6) a
fibra ideal deve ser bem concentrada, não ter componentes antinutricionais, não
comprometer a vida de prateleira do produto a ser adicionado, apresentar boa
proporção de fibra solúvel e insolúvel, e apresentar características
organolépticas suaves. Além disso, deve ser aceita pelo consumidor como um
produto saudável, apresentar positivos efeitos fisiológicos e ter custo razoável.
Nos países ibero-americanos
existe um grande potencial de alimentos e produtos que vêm sendo pesquisados,
alimentos nem sempre convencionais, mas de grande importância do ponto de vista
nutricional e que poderiam ser melhor explorados. No entanto, estas informações
encontram-se dispersas, não existindo nenhuma publicação que as agrupe; e
muitas tabelas de composição de alimentos na América Latina ainda hoje não
apresentam o teor de fibra alimentar, principalmente de fontes não
convencionais e resíduos industriais. A fim de suprir esta deficiência, o
presente trabalho visou compilar informações de FA de alimentos e produtos
ibero-americanos, sejam regionais, tradicionais ou não convencionais e de resíduos
industriais. Cabe mencionar que esta compilação foi desenvolvida como uma das
metas do Projeto CYTED XI.6/CNPq - Obtención y caracterización de fibra
dietética para su aplicación en alimentos para regímenes especiales (7),
que estudou a FA em diferentes aspectos: físico-químico, tecnológico e fisiológico
(8).
MATERIAIS E MÉTODOS
O levantamento de informações foi feito, principalmente, a partir de dados
provenientes de vários laboratórios ibero-americanos, que participaram do
Projeto CYTED XI.6/CNPq - Obtención y caracterización de fibra dietética
para su aplicación en alimentos para regímenes especiales (7), de
trabalhos científicos de pesquisadores destes laboratórios, que discutem o
aproveitamento, utilização e enriquecimento de diferentes tipos de alimentos
convencionais ou não, como resíduos de indústrias de alimentos e de publicações
de outros grupos.
As informações foram
compiladas segundo as diretrizes propostas pela Rede Brasileira de Sistema de
Dados de Alimentos (BRASILFOODS), Rede Latino-americana de Sistema de Dados de
Alimentos (LATINFOODS) e International Network Data System (INFOODS) (9,
10). Estas normas são as mesmas adotadas para a elaboração das tabelas de
composição de alimentos da América Latina e visam garantir o intercâmbio de
informações entre os diferentes países.
Foram selecionados somente as
informações e trabalhos que apresentaram resultados de análises de FA
efetuadas por métodos oficiais da Association of Official Analytical
Chemists (AOAC) (3): métodos enzímicos-gravimétricos de Prosky et al.
(11-13), não-enzímico gravimétrico - para alimentos com reduzido teor de
amido - de Li & Cardozo (14), enzímico-químico de Theander &
Westerlund - método Uppsala (15) e também o método enzímico-químico de
Englyst & Cummings (16). Os resultados foram expressos de acordo com as
informações disponíveis e contemplando o teor de fibra alimentar total (FAT),
e/ou a fibra alimentar solúvel (FAS) e a fibra alimentar insolúvel (FAI), por
100g de alimento na base seca ou integral. O teor FAT pode ter sido obtido por
análise direta ou somatório das frações solúvel e insolúvel.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Muitos dos alimentos de consumo regional, convencionais ou não, são
importantes do ponto de vista nutricional e particularmente como fonte de fibra
alimentar (FA). Tornando-se mais conhecidos, podem ser considerados uma
alternativa e introduzidos gradativamente, enriquecendo ou variando a dieta
habitual de outra região. No Brasil, frutas como o sapoti (9,98% de FA na base
integral), a goiaba (6,01%) e a fruta-do-conde (5,62%) (17) poderiam ter seu
consumo incentivado, uma vez que contém quantidades significativas de FA; o
mesmo acontece com a farinha de mandioca (6,2%) (17), consumida em todo país,
porém em quantidades diferenciadas em cada região. Alguns pratos regionais do
Brasil (17) e da Venezuela (18) contêm elevado conteúdo de FA, o que também
acontece com alimentos e produtos mexicanos, como a tortilla (5,52%), a
fava (3,35%) e alguns tipos de pães artesanais (19) (Tabela 1).
TABELA 1
Teor de fibra alimentar total (FAT) em
alimentos
e pratos regionais, por país de origem *
|
|
País
|
Alimento
|
Umidade
(%)
|
FAT
(% base integral)
|
Referência
|
|
|
Br
|
Sapoti, polpa
|
84,13
|
9,98
|
17
|
|
Ch
|
Alga, Luche, verde, cozida
|
84,40
|
8,80
|
24
|
|
Ch
|
Alga, Cochayuyo, rama, cozida
|
91,90
|
6,90
|
24
|
|
Br
|
Mandioca, farinha, crua
|
7,60
|
6,20
|
17
|
|
Br
|
Goiaba
|
80,72
|
6,01
|
17
|
|
Br
|
Fruta-do-conde
|
79,80
|
5,62
|
17
|
|
Me
|
Tortilla,
amarela
|
47,50
|
5,53
|
19
|
|
Br
|
Tutu de feijão
|
55,50
|
5,00
|
17
|
|
Ve
|
Pabellón criollo,
panela
de pressão
|
…
|
4,85
|
18
|
|
Me
|
Galleta,
"Marías"
|
6,40
|
4,38
|
19
|
|
Me
|
Fava, verde, cozida
|
71,10
|
3,35
|
19
|
|
Me
|
Nopal
|
90,80
|
3,47
|
19
|
|
Ve
|
Pollo herbido",
panela de pressão
|
|
2,95
|
18
|
|
Me
|
Empanada,
pão artesanal
|
…
|
2,00
|
19
|
|
|
* Ch-Chile,
Br-Brasil, Ve-Venezuela, Me-México.
(...) dado não disponível.
|
As algas, alimento habitual nos países orientais, e algumas
delas consumidas no Chile, representam uma fonte considerável de vitaminas e
minerais, e também de FA (6,90-8,80%), além de apresentarem reduzido conteúdo
energético (20).
O nopal (figo-da-índia), uma cactácea rica em FA
(3,47%) (19) muito utilizada pela população mexicana, apresentou alterações
importantes no crescimento e, principalmente, no perfil sangüíneo de
colesterol, lipoproteínas e glicose em ratos (21).
Estes dados mostram que o consumo de determinados alimentos
regionais deve ser estimulado por agregarem elevado teor de FA. Desta forma,
tornam-se necessárias campanhas de incentivo, mostrando à população que a
sociedade industrializada modifica seu estilo de vida, e altera hábitos
anteriormente mais saudáveis. Um bom exemplo a ser mencionado, é o que ocorreu
com o consumo de feijão junto à população brasileira. Houve, nas últimas três
décadas, uma significativa diminuição da ingestão da FA e uma das principais
causas está relacionada com o menor consumo de feijão (22). Torna-se, agora,
necessário estimular o consumo deste alimento e de outras fontes de FA.
De acordo com Dreher (5) um alimento com teor de 2 a 3% de FA
pode ser considerado uma boa fonte de fibra alimentar (FA). No Brasil, a
portaria n° 27, da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (23),
estabelece, no regulamento técnico referente à informação nutricional
complementar, que um alimento pode ser considerado fonte de FA quando apresentar
no produto pronto 3g/100g (base integral) para alimentos sólidos e 1,5g/100ml
(base integral) para líquidos; já com o dobro deste conteúdo é considerado
um alimento com elevado teor de FA. Assim sendo, temos vários alimentos
usualmente consumidos, como a acelga, agrião, beterraba, batata doce, brócolis,
mandioca, couve-flor (17,24,25) com teores
significativos de FA, em torno de 3%. Cabe salientar que além das hortaliças,
as leguminosas (17,19), os cereais e seus derivados (17,24,26) merecem destaque,
pois contêm elevados teores de fibra alimentar (FA) ficando geralmente acima de
4,50%. Muitos cereais matinais apresentam valores consideráveis (3,11-4,90%)
(17) (Tabela 2).
TABELA 2
Teor de fibra alimentar total (FAT) em
alguns vegetais, cereais e seus
derivados tradicionalmente consumidos, por país de origem*
|
|
País
|
Alimento
|
Umidade
(%)
|
FAT
(% base integral)
|
Referência
|
|
|
Ch
|
Aveia, farinha
|
2,70
|
10,00
|
24
|
|
Me
|
Lentilha, cozida
|
72,00
|
8,26
|
19
|
|
Cu
|
Trigo, farinha (84% extração)
|
...
|
7,80
|
26
|
|
Br
|
Feijão, mulatinho, cozido
|
67,50
|
7,20
|
17
|
|
Br
|
Feijão, preto, cozido
|
76,61
|
6,00
|
17
|
|
Me
|
Grão de bico, cozido
|
69,00
|
5,88
|
19
|
|
Br
|
Feijão, carioca, cozido, 45 min
|
67,50
|
5,60
|
17
|
|
Cu
|
Milho, verde, grão
|
...
|
5,41
|
26
|
|
Br
|
Cereal matinal, aveia, amêndoa e mel,
Honey Nut o’s
|
6,00
|
4,90
|
17
|
|
Br
|
Ervilha, verde, cozida, 30 min
|
66,70
|
4,87
|
17
|
|
Ch
|
Abóbora, cozida
|
91,64
|
3,58
|
24
|
|
Ar
|
Couve-flor, cozido
|
92,50
|
3,18
|
25
|
|
Br
|
Cereal matinal, milho, açúcar
|
4,50
|
3,11
|
17
|
|
Br
|
Pão francês
|
24,50
|
3,00
|
17
|
|
Ch
|
Beterraba, cozida
|
90,83
|
2,96
|
24
|
|
Ch
|
Repolho
|
92,19
|
2,72
|
24
|
|
|
* Ar-Argentina,
Br-Brasil, Ch-Chile, Cu-Cuba, Me-México.
( ... ) dado não disponível.
|
No Chile, foi encontrado teor de aproximadamente 10% de FA na
farinha de aveia (24). No sul do Brasil observaram-se grandes variações entre
os teores de FAT (9,26 e 13,86%), FAS (3,13 e 7,25%), FAI (4,87 e 8,85%), e também
em relação às b -glucanas (3,01 e 4,13%), componente da FA, em função das
diversas cultivares de aveia (27). De Francisco (28) verificou valores de b
-glucanas variando entre 3,6 e 5,8%, fato explicado pela influência de
fatores ambientais. Devido aos elevados teores de FA e b -glucanas presentes na
aveia, este produto é de grande importância do ponto de vista nutricional.
Entretanto, em função da grande variedade nestes teores, decorrentes das
diversas cultivares e fatores ambientais, a rigorosa avaliação da matéria-prima
é essencial para sua seleção.
Vegetais e frutas são fontes de inúmeros nutrientes,
incluindo vitaminas, oligoelementos, fibra alimentar (FA) e outros compostos
biologicamente ativos. O consumo destes alimentos tem sido associado com várias
ações, como a estimulação de sistema imune, redução de agregação plaquetária,
modulação da síntese de colesterol e metabolismo hormonal, redução de pressão
sangüínea, e efeitos antioxidante, antibacteriano e antiviral; desta forma,
estes alimentos podem estar associados a uma diminuição na incidência de doenças
crônicas não transmissíveis, como doença cardíaca e diabetes tipo 2 (4,29).
Vários autores, baseados em estudos epidemiológicos ratificam a recomendação
de consumo destes alimentos na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis,
incluindo câncer do trato gastrointestinal (4).
Informações sobre o aproveitamento de subprodutos da indústria
de alimentos são limitadas, mas buscar o aproveitamento de subprodutos
industriais é de extremo interesse, pois alia o aspecto econômico e ambiental
à produção de alimentos de elevada qualidade nutricional destinados ao
consumo humano.
A Tabela 3 mostra concentrados de FA obtidos de alimentos
convencionais ou não, entre eles de resíduos industriais, e que podem servir
de veículo para o enriquecimento de alimentos. Esta tabela apresenta o perfil
de resíduos que vem sendo estudados como fonte de FA nos diversos países
ibero-americanos como farelos de cereais e leguminosas (17,24,30); casca, folha
e/ou bagaço de frutas e hortaliças (17,25,31-36); rizomas (25) e outros
(26,37).
TABELA 3
Teor de fibra alimentar total (FAT) em
resíduos
de alimentos, por país de origem*
|
|
País
|
Alimento
|
Umidade
(%)
|
FAT
(% base integral)
|
FAT
(% base seca)
|
Referência
|
|
|
Cu
|
Abacaxi, casca, fibra
|
...
|
85,20
|
|
31
|
|
Ch
|
Tremoço, farelo
|
4,33
|
85,14
|
|
24
|
|
Co
|
Maracujá, casca
|
5,00
|
82,10
|
|
32
|
|
Cu
|
Toranja, folhas lavadas
|
8,00
|
74,90
|
|
34
|
|
Cu
|
Cevada, malte, resíduo
|
6,80
|
70,30
|
|
26
|
|
Co
|
Milho, torta dura, alta proporção de partículas grandes
|
...
|
68,40
|
|
37
|
|
Cu
|
Soja, casca, pó
|
8,00
|
65,10
|
|
30
|
|
Ch
|
Trigo, farelo
|
...
|
44,50
|
|
24
|
|
Br
|
Milho, casca
|
...
|
39,78
|
|
17
|
|
Br
|
Arroz, farelo
|
4,98
|
24,34
|
|
17
|
|
Ch
|
Tremoço, farinha
|
11,12
|
23,42
|
|
24
|
|
Me
|
Beterraba, bagaço
|
3,4
|
22,60
|
|
35,36
|
|
Ch
|
Aveia, farelo
|
...
|
13,50
|
|
24
|
|
Br
|
Cenoura, folha, crua
|
81,62
|
7,91
|
|
17
|
|
Br
|
Banana, nanica, casca
|
88,92
|
4,92
|
|
17
|
|
Es
|
Manga, casca, concentrada
|
...
|
...
|
71,50
|
33
|
|
Es
|
Laranja, casca, concentrada
|
...
|
...
|
69,10
|
33
|
|
Es
|
Maçã, fibra, concentrada
|
...
|
...
|
60,30
|
33
|
|
Cu
|
Uva, branca, semente
|
...
|
...
|
56,17
|
26
|
|
Ar
|
Achira,
rizoma
|
...
|
...
|
46,50
|
25
|
|
Ar
|
Pomelo,
bagaço
|
...
|
...
|
48,50
|
25
|
|
*
Ar- Argentina, Br-Brasil, Ch-Chile, Co-Colômbia,
Cu-Cuba, Me-México, Es-Espanha.
( ... ) dado não disponível.
|
O farelo de aveia vem sendo estudado por apresentar teores
significativos de b-glucanas (28), cerca de 9,5%,
praticamente o dobro do encontrado em grãos e em outras formas de processamento
de aveia (tostada, flocos), enquanto a farinha contém 3,4% (38). As b
-glucanas, principal componente da parede celular da aveia e da cevada, estão
presentes em vários tecidos de cereais e outras gramíneas (28).
Em estudo de Bourdon et al., massas preparadas com 40%
de farinha de cevada, ricas ou enriquecidas com b-glucanas
provocaram menor resposta insulínica quando comparadas com refeição de
reduzido teor de fibra alimentar (FA). Os carboidratos foram mais lentamente
absorvidos e observou-se menor concentração de colesterol plasmático (39).
Cabe lembrar que, devido às propriedades físico-químicas
da fibra, há também benefícios tecnológicos (4) que podem e devem ser
explorados na produção de alimentos, somando-se estas qualidades aos atributos
nutricionais.
Pães, biscoitos, massas e salgadinhos (extrusados de milho)
parecem ser excelentes veículos de fibra alimentar; são produtos de boa aceitação,
consumidos por todas as faixas etárias, e atingem principalmente idosos e crianças
(Tabela 4).
TABELA 4
Teor de fibra alimentar total (FAT) em
alimentos
e produtos enriquecidos, por país de origem*
|
|
País
|
Alimento
|
Umidade
(%)
|
FAT
(% base integral)
|
Referência
|
|
|
Cu
|
Galleta,
doce, c/ farelo de trigo
|
...
|
17,00
|
41
|
|
Co
|
Galleta,
c/ torta de milho dura
|
4,42
|
16,83
|
37
|
|
Cu
|
Pão, trigo, integral
|
27,30
|
12,00
|
26
|
|
Co
|
Galleta,
doce, c/ fibra de maracujá
|
3,10
|
11,80
|
37
|
|
Ch
|
Macarrão, fideo, c/ fibra de
tremoço
|
11,45
|
11,19
|
43
|
|
Ch
|
Pão, c/ fibra de tremoço
|
30,89
|
9,00
|
43
|
|
Ch
|
Galleta,
aveia, tremoço, celulose microcristalina
|
5,21
|
8,46
|
43
|
|
Ch
|
Queque,
c/ aveia e tremoço
|
28,80
|
7,90
|
43
|
|
Cu
|
Macarrão, integral, espaguete
|
...
|
5,24
|
26
|
|
|
* Ch-Chile,
Co-Colômbia, Cu-Cuba.
( ... ) dado não disponível.
|
De acordo com Roberfroid (40) um alimento natural pode ser
genuinamente funcional, ou tornar-se funcional pelo aumento de concentração,
adição ou substituição de um componente. Os alimentos e/ou produtos
enriquecidos da Tabela 4 podem ser considerados exemplos destes alimentos, pois
foram adicionados de alguma fonte de fibra, com a finalidade de enriquecê-los.
Cuba, através do Instituto de Investigaciones para la
Industria Alimentícia, já lançou vários produtos no mercado. Seus
estudos iniciaram-se há quinze anos com a adição de resíduos de trigo a
produtos de panificação (pão, macarrão e biscoito), que contam com grande
demanda por parte da população. Depois passou a estudar o aproveitamento dos
subprodutos das indústrias de derivados de frutas cítricas, abacaxi, cana e
malte (indústria cervejeira) e desenvolveu comprimidos, complementos e alimento
enteral com esses resíduos (41,42).
No Chile vem sendo testados biscoitos (galletas e muffins),
pães e espaguete adicionados de fibra proveniente do tremoço, ou com uma
mistura de fibra de tremoço, aveia e celulose microcristalina, com bom grau de
aceitação (43). A Colômbia vem desenvolvendo galletas acrescidos de
fibra de maracujá ou torta de milho, ambos com elevado teor de FA (37).
As fibras purificadas não trazem consigo as vitaminas e
minerais presentes naturalmente nos alimentos; assim, uma estratégia para
contornar o problema foi o enriquecimento, como tem sido feito em Cuba, onde são
adicionados estes nutrientes em produtos para regimes especiais e para atletas,
e no Chile em produtos desenvolvidos para idosos (41,43). Mesmo tendo um
aproveitamento diferenciado da fibra alimentar natural, os produtos dietéticos
e enriquecidos não deixam de ser uma importante opção para a prevenção ou
como coadjuvantes de tratamentos das doenças crônicas não transmissíveis,
principalmente levando-se em conta as mudanças no estilo de vida e hábitos
alimentares de sociedades industrializadas.
Alguns países, preocupados com o aumento de doenças crônicas
não transmissíveis e a transição nutricional, caracterizada pela alta ingestão
de gordura e produtos refinados, como açúcar, e reduzida ingestão de FA, já
desenvolveram produtos para dietas especiais, ricos em fibra alimentar,
inclusive para dieta enteral (Tabela 5) (17,26,33,41).
TABELA 5
Teor de fibra alimentar total (FAT) em
produtos
para fins especiais, por país de origem*
|
| País |
Produto
|
Umidade (%)
|
FAT
(% base integral)
|
FAT
(% base seca)
|
Referência
|
|
| Br |
Soja, fibra, Fibrin
|
11,04
|
70,87
|
|
17
|
| Cu |
Abacaxi, fibra alimentar,
comprimidos
|
8,00
|
62,50
|
|
26
|
| Cu |
Cítricos, fibra alimentar,
comprimidos
|
8,00
|
55,00
|
|
41
|
| Br |
Fibra, tablete, Fiber
&
Herb
|
3,88
|
27,36
|
|
17
|
| Cu |
Complemento dietético,
pó (proteína de soja,
fibra de cítricos, min,
vit.)
|
...
|
15,00
|
|
41
|
| Br |
Alimento enteral, c/ Se,
Zn, Mg, Oligosoy
|
5,84
|
1,93
|
|
17
|
| Cu |
Alimento enteral,
líquido, s/ lactose
|
...
|
1,00
|
|
41
|
| Es |
Laranja, casca,
concentrada
|
...
|
...
|
69,10
|
33
|
| Es |
Maçã, fibra, concentrada
|
...
|
...
|
61,04
|
33
|
|
|
* Br-Brasil,
Cu-Cuba, Es-Espanha.
( ... ) dado não disponível. |
A disponibilidade de informações
sobre o teor de FA dos alimentos é importante pois permite calcular com mais
segurança a ingestão da fibra alimentar, servindo para avaliar riscos/benefícios
e embasar estratégias para estimular o consumo de alimentos fontes de FA. Também
pode ser usado para fins de rotulagem e marketing nutricional.
Os dados sobre o conteúdo de FA
em alimentos e produtos apresentados nas Tabelas 1-5 representam apenas alguns
exemplos sobre o potencial deste nutriente nos países ibero-americanos. Estas
informações, em sua totalidade, estão disponíveis no web site do Projeto
CYTED XI.6/CNPq (www.fcf.usp.br/cytedxi6), o qual contém dados de 817 alimentos
ou produtos e também podem ser encontrados na publicação Contenido en
fibra dietética e almidón resistente en alimentos y productos iberoamericanos (44).
Há um grande potencial de
alimentos produzidos em países ibero-americanos, sejam eles regionais,
tradicionais e não convencionais, além dos concentrados de FA a partir de resíduos
industriais. Estas fontes significativas de fibra alimentar, podem e devem ser
conhecidas e exploradas, seja pela população, desde que devidamente orientada,
seja por profissionais da saúde e indústria que precisam conhecer melhor este
potencial.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem a colaboração e apoio financeiro do Programa
Iberoamericano de Ciencia y Tecnologia para el Desarrollo (CYTED), Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Programa de Pós-graduação
Interunidades em Nutrição Humana Aplicada (PRONUT)/USP - FCF/FEA/FSP.
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Recibido: 29/06/2001 Aceptado: 11/07/2002
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PRIVACIDAD | ACCESIBILIDAD
ALAN-VE ISSN 0004-0622 - Depósito Legal: pp 199602DF83
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