HOME > EDICIONES > Año 2003, Volumen 53 - Número 4
Trabajos de Investigación
Avaliação do método enzímico-gravimétrico AOAC 985.29, para a determinação da fibra alimentar em grãos crus de aveia e milho
Leila Picolli da Silva, Maria de Lourdes Santorio Ciocca, Eliana Badiale Furlong Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria - Universidade Federal do Rio Grande do sul Universidade do Rio Grande. Brasil.
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RESUMO Avaliação do método enzímico-gravimétrico AOAC 985.29, para a determinação da fibra alimentar em grãos crus de aveia e milho Foram avaliados os atributos de precisão e o uso do método enzímico-gravimétrico descrito por Prosky et al. (1992) (AOAC, 985.29) para a determinação de fibra alimentar em grãos de cereais, utilizando-se milho (BR 5202 Pampa) e aveia (UFRGS 15). Para determinar o efeito de corridas laboratoriais executadas em diferentes dias, organizou-se seis corridas para cada amostra, cada qual formada por uma duplicata para a determinação de fibra total (FT), uma para fibra insolúvel (FI) e provas em branco, também em duplicata, para FT e FI. A fim de caracterizar a repetibilidade, outras cinco determinações de FT e FI foram realizadas para cada uma das amostras, totalizando 11 dados. Os coeficientes de variação de FT e FI obtidos nas 6 primeiras corridas foram baixos, indicando uma variação intralaboratorial total aceitável. Os CVs (<10%) encontrados para FT de milho e aveia indicaram alta repetibilidade do método para essa fração da fibra alimentar. Nas determinações de FI, observou-se alta freqüência de valores negativos para correções de cinzas e provas em branco, que diminuíram a confiabilidade dos resultados finais. A magnitude do total das correções gravimétricas variou com a natureza da amostra e foi grandemente influenciada pela correção de proteína.
Palavras-chave: Fibra total, fibra insolúvel, repetibilidade.
SUMMARY Evaluation of the AOAC 985.29 enzimic gravimetric method for determination of dietary fiber in oat and corn grains The precision attributes and use of the enzymatic-gravimetric method of Prosky et al. (1992) (AOAC 985.29) were evaluated using corn (BR 5202 Pampa) and oat (UFRGS 15) samples. The effect of laboratory batches carried out in different days were evaluated in six laboratory batches, using for each material one duplicate for total fiber (FT) determination, one duplicate for insoluble fiber (FI) determination and blank ones for FT and for FI (both in duplicate). In order to characterize repetitive aspects, five other FT and FI determinations added to each sample were evaluated, summing up 11 data. The low coefficients of variation in the first six batches were considered acceptable as an expression of expected total intralaboratory variation. The repetitive of the method was considered good for FT determinations (CVs < 10%). However, in the FI determination a high frequency of negative values of ash and blanks was found, impairing the repetitive aspects evaluation. The magnitude of the total gravimetric corrections varies with the kind of the sample and is especially influenced by the protein content.
Key words: Total dietary fiber, insoluble dietary fiber, repetitive aspects.
INTRODUÇÃO
O método proposto por Prosky e colaboradores para a determinação de fibra
alimentar total (1) e recomendado pela AOAC, em primeira ação, no ano de 1985
(2) (método n0 985.29) e em ação final, a partir de 1986 (3), foi
desenvolvido com base na proposição de Asp e colaboradores (4). Neste, a
determinação da fibra total é feita utilizando-se digestão enzimática,
seguida de precipitação etanólica da fibra solúvel e a correção do resíduo
resultante desta operação para cinzas, provas em brancos e proteína (1). Mais
tarde, em 1988, Prosky e colaboradores indicaram o uso deste método, com
pequenas modificações, para as determinações adicionais das frações insolúvel
e solúvel da fibra (5), sendo adotado em primeira ação pela AOAC em 1991 para
a determinação de fibra insolúvel (6) e em 1993 para a determinação de
fibra solúvel (7).
Embora este método tenha passado por várias modificações
no período de 1984 a 1995, com muitos dos seus problemas solucionados (8),
outros, referentes aos procedimentos analíticos empregados para a precipitação
da fibra solúvel e para as correções gravimétricas preconizadas, foram
detectados tanto em estudos colaborativos como em trabalhos investigativos (1,
5, 6, 9, 10, 11).
AACC (8) e Mañas e colaboradores (9, 10) levantaram a
possibilidade de incompleta precipitação etanólica da fibra solúvel, o que
causaria subestimação da fibra total, ou co-precipitação de outros compostos
que não compõe a fibra alimentar, superestimando os resultados. Quanto às
correções gravimétricas, há relatos tanto de superestimação como de
subestimação do teor de cinzas presente no resíduo da digestão enzimática.
A superestimação seria provocada pela precipitação, em álcool, dos sais dos
tampões usados na análise (Na e Ca); e a subestimação seria decorrente de
perdas de componentes voláteis das cinzas durante a incineração a 5250C
(10, 11).
A maioria dos estudos sobre o comportamento do método enzímico-gravimétrico
proposto por Prosky e colaboradores (6) para a determinação de fibra alimentar
e de suas respectivas frações, basearam-se unicamente em produtos destinados a
alimentação humana. No entanto, a avaliação de sua aplicabilidade para
produtos destinados à alimentação animal também é de extrema importância,
considerando a possibilidade de se estabelecer relações entre os teores de
fibra alimentar (total, insolúvel e solúvel) com diferenciados efeitos fisiológicos
que, em última instância, se refletirão diretamente sobre o desempenho animal
(11).
Neste contexto, o objetivo do presente trabalho foi de
avaliar os atributos de precisão e a aplicabilidade do método proposto por
Prosky e colaboradores (6) para a análise da fibra total e insolúvel em grãos
de cereais destinados á nutrição animal.
MATERIAL E MÉTODOS
Amostras
Grãos de milho BR 5202 Pampa e de aveia UFRGS 15 foram coletados em ensaios
de produção conduzidos em 1996 no Centro de Pesquisa de Agricultura de Clima
Temperado/EMBRAPA (Pelotas/RS) e na Estação Experimental Agronômica da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, respectivamente. As espécies de
cereais utilizadas foram escolhidas de modo que representassem dois pontos
extremos quanto aos teores de fibra solúvel.
Preparação das amostras
Os grãos de aveia foram descascados manualmente para posterior preparação.
As amostras foram moídas em moinho tipo Wiley com peneira de 1 mm e, seqüencialmente,
submetidas a nova moagem em moinho de facas (Control Química MC 2, capacidade
de 150 g) com velocidade de rotor de 20.000 rpm, por 45 segundos, a fim de se
obter tamanho de partículas apropriado para as análises de fibra (6).
Análises laboratoriais
As determinações de fibra total (FT) e fibra insolúvel (FI) foram
realizadas de acordo com o método descrito por Prosky e colaboradores (6),
utilizando as enzimas TERMAMYL 120L (a -amilase), com atividade declarada de
120KNU/g; ALCALASE 0.6L (protease), com atividade declarada de 0.6AU/g; e AMG
200 (amiloglicosidase) com atividade declarada de 200AGU/ml, todas fabricadas
pela Novozymes Ltda. e mantidas em refrigerador (temperatura média de 5ºC) após
cada uso. A atividade das enzimas foi testada periodicamente, utilizando o kit
Sigma TDF-C10â.
Nos cadinhos de fundo de vidro sinterizado (capacidade 50
ml/porosidade 40-60 mm) foi adicionado,
aproximadamente, 1g de lã de vidro como auxiliar de filtração. O conjunto
(cadinho+lã de vidro) foi submetido a queima em mufla a 5250C por 5
horas, tratados com solução de HCl ± 2N por uma noite e lavados com água
destilada para então, serem utilizados. Esse procedimento se repetiu a cada
nova utilização do material.
Os resultados de FT e FI, expressos em percentagem na matéria
seca, foram obtidos após subtração dos valores de cinzas e brancos (resíduo
das provas em branco corrigidos para cinzas e proteína), determinados conforme
Prosky e colaboradores (6); e subtração da proteína bruta (N x 6,25), sendo N
determinado por destilação em micro-Kjeldahl (12). Adicionalmente, foi
determinada a composição centesimal das amostras conforme as técnicas
descritas no AOAC (13) para umidade, cinzas, proteína bruta (Nx6,25) e extrato
etéreo.
Condução do experimento
a fim de testar o efeito de corridas laboratoriais executadas em dias
diferentes, para cada material, foram organizadas seis corridas. Cada corrida
foi composta de uma duplicata para determinação de FT, uma duplicata para
determinação de FI, uma prova em branco para FT e outra para FI, ambas em
duplicata.
Para caracterizar a repetibilidade foram agregadas outras
cinco determinações de FT e de FI por amostra, totalizando 11 dados
experimentais.
O efeito de corridas laboratoriais e a repetibilidade foram
avaliadas através dos coeficientes de variação obtidos para FT e FI em ambas
as amostras conforme indicado por Wernimont (14).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os teores de matéria seca (MS) determinados nas amostras de milho e aveia
foram, respectivamente, de 95.50 e 86.77%, e os teores de cinzas (Cz), proteína
bruta (PB) e extrato etéreo (EE), expressos em 100g de MS, foram 1.54; 9.32 e
5.92% na amostra de milho e, na mesma ordem, 1.36; 15.20 e 4.03% na amostra de
aveia. Os dados de Cz, PB e EE referentes a amostra de milho foram,
respectivamente, 23.4; 6.9 e 35.1% superiores aos valores citados na Tabela de
Composição Química e Valores Energéticos para Suínos e Aves (15). Quando
comparados os valores de composição química de grãos descascados de aveia
UFRGS 15, observou-se que os teores de Cz, PB e EE foram, respectivamente,
40.3%; 13.6% e 44.1% menores que os citados por Floss e colaboradores (16) para
essa mesma cultivar. Esta diferença nos valores das medidas de composição química
de grãos de milho e aveia entre os trabalhos, provavelmente possa ser atribuída
às distintas condições de cultivo (ano e local de cultivo, condições
ambientais, aspectos nutricionais da planta, etc.) e, no caso da aveia, devido
à diferenças na técnica utilizada para retirada da casca dos grãos.
Os resultados das determinações de FT e FI nos dois
materiais experimentais obtidos nas seis primeiras corridas, encontram-se nas
seis primeiras linhas da Tabela 1. No caso do milho, as médias de FT e FI
(13.27 ± 0.90 e 12.29 ± 0.94%, respectivamente) foram ligeiramente superiores
aos valores máximos verificados por Lesson e colaboradores (17), para 23
amostras diferenciadas de milho. Já para aveia, as médias obtidas (12.34 ±
0.44 para FT e 10.08± 0.42% para FI) ficaram dentro da faixa de variação do
conjunto de dados citados por Prosky e colaboradores (5), e ligeiramente mais
elevados do que aqueles citados na Tabela Brasileira de Composição de
Alimentos-USP, para aveia em flocos (18). Os CVs obtidos para ambas as determinações
foram baixos (6.77 e 7.61% para FT e FI de milho e 3.59 e 4.20% para aveia)
indicando uma variação intralaboratorial total aceitável (5).
Com base nestes resultados, considerou-se que os dados
experimentais referentes as determinações de FT e FI obtidos em diferentes
corridas laboratoriais, poderiam ser agregados em um mesmo conjunto para análise
estatística.
As médias dos teores de FT e FI obtidas com os 11 dados
experimentais de cada amostra (Tabela 1) diferiram das encontradas nas 6
primeiras corridas em menos de 5%. Os CVs foram mais altos que os observados nas
seis corridas iniciais, mas ainda próximos aos citados por Prosky e
colaboradores para determinação de fibra total (5) e fibra insolúvel (6), nas
faixas de concentração correspondente às encontradas no presente trabalho.
Em várias determinações das frações de fibra,
especialmente da insolúvel, foram encontrados valores negativos para as correções
gravimétricas. Nas determinações de FI, somente em duas corridas para a
amostra de milho, e nas corridas 1, 2, 5 e 6 para a amostra de aveia, foram
encontrados valores de cinzas positivos. No restante das determinações todos
os valores referentes a esta correção gravimétrica foram negativos. Nas
determinações de FT em milho, observou-se valores negativos para cinzas nos
resíduos de digestão das corridas 5, 7, 10 e 11. Já, quando determinada esta
mesma fração nos resíduos de digestão enzimática de aveia, todos os valores
foram positivos.
Valores impróprios, tais como correções gravimétricas
negativas, diminuem a confiabilidade nos resultados finais, apesar de não
induzirem, necessariamente, a grandes erros (19). Considerando este fato, os
dados de FI e FT obtidos por correções gravimétricas negativas não foram
utilizados para a avaliação de repetibilidade. Assim, não foi possível
determinar a repetibilidade para FI, uma vez que grande maioria destes valores
originaram-se de correções gravimétricas negativas.
Para FT, adotando o mesmo critério, foram considerandos
apenas 7 valores para milho e os 11 valores para aveia. Os CVs obtidos a partir
destes dados ficaram em torno de 10%, indicando alta repetibilidade do método
para determinação desta fração em ambos os cereais (Tabela 1).
TABELA 1
Teores de fibra alimentar total (FT) e insolúvel (FI) dos grãos de milho BR
5202 Pampa
e de aveia UFRGS 15, expressos em percentagem da matéria seca
|
|
Corridas
|
Milho BR 5202 Pampa
|
Aveia UFRGS 15
|
|
| |
FT
|
FI
|
FT
|
FI
|
|
1
|
13.31*
|
11.24
|
12,38*
|
9,57
|
|
2
|
12.73*
|
12.13
|
11,95*
|
9,98
|
|
3
|
14.15*
|
12.74
|
11,90*
|
9,62
|
|
4
|
12.20*
|
11.32
|
12,96*
|
10,43
|
|
5
|
14.51
|
13.71
|
12,07*
|
10,58
|
|
6
|
12.73*
|
12.58
|
12,76*
|
10,28
|
|
7
|
13.33
|
11.62
|
13,69*
|
9,60
|
|
8
|
13.18*
|
12.33
|
11,10*
|
8,21
|
|
9
|
14.29*
|
12.05
|
12,80*
|
8,54
|
|
10
|
14.29
|
10.73
|
15,48*
|
9,40
|
|
11
|
11.57
|
11.38
|
15,50*
|
9,78
|
|
Média †
|
13.30
|
11.98
|
12,96
|
9,64
|
|
Média ‡
|
13.23
|
---
|
12,96
|
---
|
|
CV † (%)
|
7.14
|
7.04
|
10,95
|
7,60
|
|
CV ‡ (%)
|
5.81
|
---
|
10,95
|
---
|
|
|
*
Valores usados para teste de repetibilidade;
†
Média e coeficiente de variação (CV) dos 11 valores de cada fração
analisada;
‡
Média e coeficiente de variação (CV) dos valores usados para
determinação da repetibilidade.
|
Os teores calculados de FS para aveia e milho foram de 3.33
(CV = 45.44%) e 1.31% (CV = 77,98%), respectivamente. Os CVs resultantes foram
aproximadamente 60% superiores aos citados por Prosky e colaboradores para esta
faixa de concentração de FS (5, 6). Nestes trabalhos a FS foi determinada
independentemente, e a explicação para os CVs insatisfatórios foi atribuída
a problemas de filtração da amostra. A possibilidade de retenção de
componentes solúveis na FI e os problemas relatados com a precipitação etanólica,
também podem ter causado recuperação incompleta dos componentes da fibra ou
co-precipitação de outros compostos não pertencentes à fibra na fração
correspondente a FS (5, 9, 10).
Componentes de variação das determinações de fibra
total e insolúvel
Na primeira etapa do procedimento analítico, que compreendeu as digestões
enzimáticas até a obtenção do resíduo seco, foi constatada baixa
variabilidade entre os dados experimentais (Tabela 2). Neste caso, os CVs
encontrados para os resíduos de digestão enzimática, em torno de 10%,
indicaram que essa etapa teve pouca influência na variabilidade dos resultados
finais de fibras total e insolúvel para ambas as amostras.
TABELA 2
Peso médio das amostras, dos resíduos de digestão enzimática e
das correções gravimétricas nas determinações de fibra alimentar total (FT)
e fibra insolúvel (FI) em grãos de milho BR 5202 Pampa e de aveia UFRGS 15
|
|
Espécie
|
Amostra
|
Resíduo
|
Cinzas
|
Proteína
|
Branco
|
Total
|
| |
mg
|
mg
|
% *
|
mg
|
% †
|
mg
|
% †
|
mg
|
% †
|
% †
|
|
|
Milho
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
FT
|
1001.4± 0.5
|
168.2± 15.2
|
16.8± 1.5
|
3.3± 5.3
|
1.9± 3.0
|
23.1± 10.0
|
13.5± 5.0
|
8.7± 0.7
|
5.2± 0.6
|
20.6± 5.3
|
|
FI
|
1001.5± 0.7
|
137.1± 6.0
|
13.7± 0.6
|
-0.8± 1.9
|
-0.5± 1.4
|
16.1± 4.1
|
11.8± 3.0
|
1.7± 2.3
|
1.3± 1.7
|
12.5± 3.9
|
|
Aveia
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
FT
|
978.3± 54.3
|
196.3± 22.9
|
20.0± 1.6
|
8.9± 4.3
|
4.5± 1.9
|
52.1± 15.0
|
26.4± 6.0
|
8.3± 2.5
|
4.3± 1.4
|
35.2± 5.8
|
|
FI
|
978.5± 54.0
|
129.6± 13.1
|
13.2± 0.8
|
-0.8± 1.5
|
-0.7± 1.2
|
33.8± 7.6
|
26.0± 4.5
|
2.2± 2.5
|
1.7± 2.0
|
27.0± 5.1
|
|
|
*
Percentagem de resíduo em relação a amostra inicial (valores
expressos com base na matéria seca);
†
Percentagem da correção
gravimétrica em relação ao resíduo de digestão (valores expressos
com base na matéria seca).
|
A segunda etapa, que compreendeu a realização das análises
para obtenção dos dados das correções gravimétricas preconizadas, foi a que
exerceu maior influência para o aumento da variabilidade entre os resultados
finais. O total de correções gravimétricas (cinzas + proteína + branco)
variou de acordo com a natureza da amostra, onde os maiores valores foram
observados nas determinações em aveia (Tabela 2).
A contribuição de cada uma das correções sobre o total
também foi variável, porém, a proteína foi a que exerceu maior influência
sobre as determinações das frações de fibra (Tabela 2). A correção para
proteína representou aproximadamente 13 e 12% dos resíduos de FT e FI em milho
e, na mesma ordem, 26 e 26% em aveia. As correções para cinzas foram menores,
representando aproximadamente 2 e 4.5% do resíduo de FT de milho e aveia e, na
mesma ordem, -0.5 e –0.7% do resíduo da FI.
A distribuição dos valores de proteína, cinzas e provas em
branco obtidos nos resíduos de digestão enzimática das amostras utilizadas
neste experimento foram analisados individualmente e encontram-se na Figura 1.
Embora as medidas realizadas no presente trabalho não tenham sido direcionadas
à avaliar a eficiência da proteólise ou ineficiência da remoção da proteína
dos resíduos de digestão, a ampla dispersão detectada quanto os teores de
proteína bruta entre repetições provenientes de mesma amostra (Figuras 1a e
1d), demonstrou a grande variabilidade existente entre corridas na etapa de
digestão enzimática no que se refere à proteólise.
Os valores das correções gravimétricas de cinzas também
foram amplamente dispersos e, em muitos casos, negativos (Figuras 1b e 1e). Porém,
a ocorrência de valores negativos para cinzas e provas em branco não foi
verificada somente no presente trabalho, mas também no próprio estudo
colaborativo referente ao método utilizado (6).
Os CVs obtidos para a medida de cinzas nos resíduos de FT e
FI de milho e aveia foram de 157.9 e 42.2% e, 280.0 e 171.4%, respectivamente. A
maior freqüência de cinzas negativas em resíduos de FI (Figura 1e) quando
comparados aos resíduos de FT (Figura 1b), sugere que na filtração de FI,
feita para a remoção da FS, ocorram perdas de minerais. Mañas e colaboradores
(9) comentam que na determinação de fibra alimentar, junto com a precipitação
etanólica de compostos orgânicos e inorgânicos da amostra, pode também
ocorrer precipitação de sais inorgânicos do tampão, superestimando o teor de
cinzas no resíduo da FT.
Considerando essa indicação, é razoável supor que pelo
mesmo mecanismo possa ocorrer uma redução nos teores de cinzas da FI, uma vez
que minerais poderiam ser retirados dessa fração juntamente com a FS. Por
outro lado, pela pequena quantidade de minerais remanescente neste resíduo e
considerando os erros acumulados desde o início da manipulação das amostras,
torna-se mais provável a ocorrência de valores negativos de cinzas para os resíduos
de FI do que para os de FT.
De qualquer forma, a distribuição dos valores de cinzas
obtidos no presente trabalho (Figuras 1b e 1e) põe em dúvida a explicação
dada por Prosky e colaboradores (6) de que a obtenção de dados negativos de
cinzas no resíduo é resultante de perdas do auxiliar de filtração e
problemas de qualidade, tanto do auxiliar como do cadinho filtrante; devendo-se
buscar explicação para estes resultados na análise de outros possíveis
fatores que afetam as determinações de cinzas no resíduo da digestão enzimática
utilizada para a determinação da fibra alimentar.
Os elevados valores dos efeitos das interferências de proteína
e minerais nos resíduos de digestão enzimática são as principais críticas
quanto ao método proposto por Prosky e colaboradores (4, 5, 9, 10, 11, 20, 21).
Este fato abre precedentes para que outros métodos de determinação da fibra
alimentar sejam indicados. Jeraci e colaboradores propõe o método UED (urea
enzymatic dialysis) (22) para a determinação de fibra alimentar. Segundo
estes pesquisadores, o método UED reduz a interferência das correções gravimétricas
de cinzas e proteína, sendo mais preciso e apurado do que aquele proposto pela
AOAC (2).
FIGURA 1
Distribuição dos valores de proteína bruta, cinzas e provas em branco,
obtidos nas determinações de fibra alimentar total (FT) (a, b, c) e fibra
insolúvel (d, e, f) nos grãos de milho BR 5202 Pampa e de aveia UFRGS 15. No
eixo X estão representados os valores obtidos em cada determinação,
organizados em ordem crescente. No eixo Y encontra-se a freqüência relativa
acumulada de observações, onde cada observação corresponde a 9.1 unidades de
percentagem para proteína e cinzas e 7.1 unidades de percentagem para brancos
(100% ¸÷ no total de observações), o que permite avaliar a
dispersão em relação a amplitude

Embora menos representativos, os valores das provas em branco
também interferem no resultado final das medidas de FT e FI. No presente
trabalho, as provas em branco representaram aproximadamente 5% dos resíduos de
digestão de FT e, menos de 2% nos resíduos de FI para ambas as amostras
(Tabela 2). Os Cvs obtidos para as determinações de FT das corridas realizadas
com amostra de milho, foram menores do que os encontrados para as corridas de
aveia (11,5 versus 32,6%). Para FI, maioria dos valores das provas em
branco foram negativos e os CVs obtidos foram muito altos (superiores a 115%)
para ambas as amostras. A amplitude de variação observada para os valores das
provas em branco de FT (3.0 a 12.9 mg) e de FI (-1.7 a 4.7 mg) provavelmente
possa ser atribuída às diferenças entre corridas e às correções gravimétricas
de proteína e cinzas nos resíduos da prova em branco, uma vez que, durante a
execução destas análises, não houve trocas de reagentes e/ou enzimas que
justificassem tal variação.
Embora os valores negativos de cinzas e provas em branco
obtidos nas determinações de FI e FT em milho e aveia (Figuras 1b, 1e e 1f)
tenham diminuído a confiabilidade nos resultados finais deste trabalho, é
importante salientar que o maior desvio provocado por estes valores negativos não
chegou a 5% sobre o resultado final. Este
dado foi considerado não limitante para o uso do método enzímico-gravimétrico
proposto por Prosky e colaboradores (6) na avaliação das frações de fibra
nos grãos analisados.
CONCLUSÕES
O método enzímico-gravimétrico proposto por Prosky e colaboradores (6)
permitiu a determinação da fibra total em grãos de milho e aveia, com alta
repetibilidade.
Nas determinações de fibra insolúvel, observou-se alta
freqüência de valores negativos para correções de cinzas e provas em branco
que diminuíram a confiabilidade dos resultados finais.
A magnitude do total das correções gravimétricas variou
com a natureza da amostra e foi grandemente influenciada pela correção de
proteína.
REFERÊNCIAS
-
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Schweizer, T.F.; Harland, B.F. Determination of total dietary fiber in
foods, food products, and total diets: Interlaboratory Study. J. Assoc.
Anal. Chem., 1984; 67 (6): 1044-1052.
-
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Total dietary fiber in foods – Enzimatic-gravimetric method – First
action. J. Assoc. Anal. Chem., 1985; 68 (2): 399.
-
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Recommendations. J. Assoc. Anal. Chem., 1986; 69 (2): 259.
-
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Rapid enzymatic assay of insoluble and soluble dietary fiber. J. Agric. Food
Chem., 1983; 31 (2): 476-482.
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Recibido: 14/08/2002 Aceptado: 30/09/2003
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