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Trabajos de Investigación
Tabela Brasileira de Composição de Alimentos TBCA-USP (Versões 3 e 4) no contexto internacional
Eliana Bistriche Giuntini, Franco M. Lajolo y Elizabete Wenzel de Menezes Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental. Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. São Paulo-Brasil
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RESUMO Tabela Brasileira de Composição de Alimentos TBCA-USP (Versões 3 e 4) no contexto internacional A Tabela Brasileira de Composição de Alimentos-USP (TBCA-USP) tem como meta divulgar informações de qualidade sobre a composição química de alimentos brasileiros. Para isso adota padrões internacionais que definem diretrizes e critérios para a área de composição de alimentos, através de guias e manuais com protocolos a serem usados na geração e compilação de dados, o que amplia a comunicação e o intercâmbio entre laboratórios. Entre os anos de 2001 a 2004, foram introduzidos 863 novos dados na TBCA-USP, totalizando 1838, sendo 1200 referente à composição centesimal. Durante este período foram desenvolvidas e disponibilizadas na Internet as versões TBCA-USP 3.0, 4.0 e 4.1, que apresentaram inúmeras modificações estruturais e de layout em relação às versões anteriores. A versão 3.0 da TBCA-USP apresentava uma tabela blocada com os alimentos separados por grupos, devido ao grande número de informações. Como esse número continuou aumentando, as versões 4.0/4.1 passaram a apresentar os dados dos alimentos de maneira individualizada, acessada por busca, pelo nome do alimento (em português, inglês ou nome científico). Os dados são apresentados por 100g/alimento e medidas caseiras usuais. Está disponível um formulário para compilação de dados de composição de alimentos, para incentivar o envio e a publicação de dados que possam ser avaliados de maneira adequada. A TBCA-USP está estruturada de forma similar às demais tabelas internacionais que seguem padrões da rede INFOODS (International Network of Food Data Systems); e está centralizando esforços para a criação de bancos específicos de nutrientes ou alimentos com propriedade funcional.
Palavras-chave: TBCA, Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, nutrientes, composição de alimentos.
SUMMARY Brazilian Food Composition Table TBCA-USP (Versions 3 and 4) in the international context The Brazilian Food Composition Table (TBCA-USP) aims to divulge information about Brazilian food composition. Therefore, it adopts international patterns that define rules and criteria for the food composition area, through guides and manuals with protocols to be used for data generation and compilation, which amplifies the communication and exchange between laboratories. From 2001 to 2004, 863 new data were introduced in the TBCA-USP, in a total of 1838 data, 1200 of which refers to proximal composition. During this period, the versions 3.0, 4.0 and 4.1 of the TBCA-USP were developed and put on the Internet. These versions had several structural modifications in relation to the ones before. The version 3.0 of the TBCA-USP used to be separated by groups of foods, due to its large number of information. Once this number kept growing, the versions 4.0/4.1 turned to have their food data showed individually, accessed through the name of the food (in Portuguese, English or scientific name). All data is presented as 100g/food and domestic measurement. There is a form available for compilation of food composition data, in order to stimulate researchers to send and publish data that may be evaluated correctly. The TBCA-USP is being structured similarly to the other international tables that follow patterns of INFOODS (International Network of Food Data Systems); and it is making an effort to create specific databases of nutrients or foods that have functional properties.
Keywords: TBCA, Brazilian Food Composition, nutrients, food composition.
INTRODUÇÃO
A Tabela Brasileira de Composição de Alimentos
(TBCA-USP) (1), criada em 1998, vem sendo elaborada mediante a adoção de uma
série de critérios que incluem informações referentes a amostragem,
procedimento analítico e identificação detalhada do alimento, conferindo
confiabilidade aos dados analisados diretamente ou compilados, a serem
incluídos (2,3,4).
A Rede Brasileira de Dados de Composição de Alimentos (BRASILFOODS)1 iniciou
suas atividades na década de 80, e, ao longo dos anos, vem discutindo aspectos
relacionados à importância de obtenção de dados de qualidade. Entre estes
aspectos estão os estudos colaborativos para aferição de técnicas
analíticas para nutrientes críticos, com a realização de estudos para
composição centesimal, aminoácidos, fibra alimentar e vitamina A e
carotenóides; compilação de dados com avaliação e documentação de
metodologia utilizada; integração com organismos internacionais, como INFOODS,
que define normas e padrões, com base científica, na área de composição de
alimentos (5,6).
Uma primeira iniciativa de compilação de dados nacionais no
início da década de 90 detectou a reduzida qualidade dos dados de composição
de alimentos (7). Muitos alimentos, basicamente de origem vegetal, não
apresentavam a descrição dos métodos analíticos utilizados ou haviam sido
analisados por métodos inadequados, principalmente em relação à fibra
alimentar (FA). Inúmeros dados foram descartados, outros foram utilizados após
a complementação de informação com a realização de análise da FA por
métodos adequados pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de
São Paulo (FCF/USP) (4). Dessa forma, reiterou-se a necessidade de uniformizar
procedimentos analíticos.
O Projeto Integrado de Composição de Alimentos, criado pelo BRASILFOODS, tem
como objetivo principal a elaboração e manutenção de uma tabela nacional de
composição de alimentos, através da análise de novos alimentos, da
compilação e avaliação da qualidade de dados de composição. Para tanto,
foi criado um banco de dados de alimentos brasileiros, baseado nas diretrizes
preconizadas pelo INFOODS, e adotadas pelo LATINFOODS, relativas à
identificação de nutrientes e alimentos, que visam facilitar a troca de
informações entre pesquisadores da área e bancos de dados de diferentes
regiões do mundo (2,8).
A Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA-USP), que se tornou
realidade em 1998 (http://www.fcf.usp.br/tabela), é o resultado da soma de
esforços de mais de 27 laboratórios participantes do Projeto Integrado de
Composição de Alimentos. É coordenada pela Rede Brasileira de Dados de
Composição de Alimentos (BRASILFOODS)/ Departamento de Alimentos e Nutrição
Experimental da FCF/USP, e visa disponibilizar informações de qualidade sobre
composição de alimentos. Desde sua criação, a TBCA-USP sofreu uma série de
atualizações em termos de número de alimentos e/ou estruturais, que estão
resumidas na Tabela 1 (8).
TABELA 1
Perfil das diferentes versões e dados de composição centesimal
da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA-USP)
|
| Versão
|
Lançamento
|
Dados CC
|
Alterações principais
|
|
|
| TBCA-USP 1.0 |
Julho/1998 |
300 |
Formato de tabela tradicional |
|
| TBCA-USP 1.1 |
Março/1999 |
390 |
Número des dados |
|
| TBCA-USP 2.0 |
Junho/2000 |
390 |
Apresentação gráfica |
|
| TBCA-USP 3.0 |
Março/2001 |
696 |
Tabela blocada, divisão por grupos de alimentos, |
número de dados |
| TBCA-USP 4.0 |
Julho/2004 |
1200 |
Sistema de busca por alimento, medidas caseiras, |
energia em kJ, número de dados |
| TBCA-USP 4.1 |
Novembro/2004 |
1200 |
Sistema de busca alimento/ nutriente Conferência |
Eletrônica |
|
| Fonte: Giuntini, 2005 (8). |
Todos estes esforços foram reconhecidos
pelo Ministério da Saúde que indicou a TBCA-USP como referência para o
estabelecimento da RDC 40, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, sobre
a rotulagem nutricional obrigatória em alimentos e bebidas embaladas (9), e da
RDC 360 de dezembro de 2003 (10), que substituiu a RDC 40 para se tornar
compatível com o Mercado Comum do Sul (Mercosul).
O Projeto Integrado de Composição de Alimentos também colabora com a Tabla
de Composición de Alimentos de América Latina, disponibilizando suas
informações atualizadas para esta base de dados e participando de atividades
que tem como meta gerar, compilar e difundir informações adequadas e
confiáveis sobre composição de alimentos na região, e promover a melhoria da
qualidade desses dados (11).
Últimas versões da TBCA-USP na internet TBCA-USP 3.0
A versão 3.0 da TBCA-USP foi lançada em abril de 2001, e foram inseridos
dados de 300 alimentos industrializados (biscoitos, bolos, tortas, pudins,
pães, iogurtes, enlatados), totalizando 696 dados de composição centesimal.
Este número de dados incluído foi possível devido ao relacionamento positivo
estabelecido com as indústrias de alimentos. Os representantes de diversas
indústrias brasileiras passaram a entender que a TBCA-USP é uma importante
fonte de informação de qualidade utilizada e desta forma seu produto está
sendo divulgado com credibilidade. Essa conscientização foi fruto de um longo
e árduo trabalho por parte do BRASILFOODS junto às indústrias e laboratórios
credenciados, pois esta parceria não se limita apenas à remessa de
informações. Para que um dado possa ser aceito para sua inclusão na TBCA-USP,
além do laudo de análise, são
FIGURA 2
Exemplo de apresentação dos dados na TBCA-USP 3.0
em tabela blocada e janelas de navegação

O banco de dados estava dividido em 5
bancos de nutrientes conforme citado acima, sendo que cada banco estava dividido
em três planilhas. A planilha de dados era referente aos dados numéricos, onde
os alimentos estavam divididos de acordo com o grupo a que fazem parte, e dentro
dele em ordem alfabética, sendo que cada alimento tinha um código de
identificação alfa-numérico próprio. A outra planilha era a de
identificação onde os alimentos estavam em seqüência alfabética geral para
facilitar a localização de alimento, caso houvesse dúvida quanto à sua
classificação dentro de um grupo; dessa forma, seguido ao nome constava o
código alfa-numérico, quando através da letra era possível identificar em
qual grupo o alimento estava listado. A terceira planilha, de referências
bibliográficas, permitia obter informações sobre a origem do dado (8).
TBCA-USP 4.0. / 4.1
A versão 4.0 lançada em julho de 2004 foi totalmente modificada em termos de
apresentação. Em função do número de alimentos cada vez maior, o formato de
tabela tornou-se inapropriado para a navegação pela Internet, assim foi
adotado o sistema de Busca pelo nome do alimento, em português, inglês ou nome
científico. Após a introdução da versão 4.0 na Internet, foi verificada a
necessidade de corrigir alguns detalhes para facilitar a navegação e
visualização das informações, assim foi lançada em novembro de 2004 a
versão 4.1 aperfeiçoando a anterior. Como estas duas versões são bastante
similares, a versão 4.1 será apresentada e discutida (Figuras 3, 4 e 5) (8).
FIGURA 3
Página inicial da TBCA-USP 4.1

FIGURA 4
Exemplo da página de resultados da busca na TBCA-USP 4.1

No website podem ser encontrados,
na página inicial, vários itens que fornecem subsídios para usar e conhecer a
TBCA-USP. Em "Qualidade dos dados e critérios adotados" pode-se tomar
conhecimento sobre a metodologia analítica utilizada, identificadores (tagnames),
fatores de conversão e cálculo de energia, com o objetivo de garantir a
padronização e confiabilidade dos dados. É possível conhecer também
detalhes das redes BRASILFOODS, LATINFOODS e INFOODS, o Projeto Integrado de
Composição de Alimentos, os laboratórios participantes. Estão ainda
disponíveis explicações sobre forma de apresentação dos dados, siglas,
comparação com dados de rótulo e forma de participação das indústrias de
alimentos (8).
FIGURA 5
Exemplo de apresentação dos dados na TBCA-USP 4.1
Com a finalidade de facilitar a busca por
informações de alimentos/produtos não contemplados pela TBCA-USP, estão
disponíveis aos usuários links com websites relacionados, assim
como referências bibliográficas publicadas pela Rede BRASILFOODS e algumas de
outros órgãos internacionais, relevantes na área de composição de alimentos
e bancos de dados; várias destas publicações estão em formato Portable
Document Format (PDF), possibilitando arquivamento ou impressão (8).
No item "Como enviar dados", o Formulário para compilação de dados,
acompanhado de manual de preenchimento, está disponível para download,
tanto para estimular a remessa de dados, como para incentivar os pesquisadores a
divulgarem seus dados de maneira mais completa, a fim de que possam ser
devidamente avaliados em termos de qualidade da informação (8). Para facilitar
o trabalho de compilação de dados e promover a uniformização das
informações enviadas, o formulário é composto de planilhas de compilação
independentes para os grupos de nutrientes: carboidratos, aminoácidos, ácidos
graxos, minerais, vitaminas lipossolúveis, vitaminas hidrossolúveis,
composição centesimal, além de incluir as planilhas para a identificação
dos alimentos e para avaliação da qualidade analítica dos dados (12).
Para os usuários a alteração de maior impacto foi a introdução do sistema
de Busca pelo nome do alimento (português, inglês ou nome científico),
sistema este que é também adotado por outras tabelas de composição de
alimentos como USDA database (13) que contém dados de 6000 alimentos, a
tabela alemã online (14) com 800 alimentos, e a finlandesa com 1823
alimentos (15). A tabela dinamarquesa Danish Food Composition Databank 5.0 (16)
apresenta sistema de busca pelo nome do alimento, por grupo de alimentos ou
ordem alfabética; há também uma opção por lista de componentes, que
apresenta os dados por concentração de nutriente em 100g de alimentos, sendo
que os dados podem ser visualizados em ordem crescente ou decrescente.
O website New Zealand Food Composition Data (17) representa parte de um
sistema chamado Nutrition Information Panel, que executa cálculos.
Estão disponíveis dados de energia e 7 nutrientes (proteínas, lipídios,
lipídios saturados, carboidratos disponíveis, açúcares, sódio e fibra
alimentar) de 2470 alimentos. As informações são acessadas por busca, e
resulta em uma lista de alimentos com seus respectivos dados (formato tabela)
relacionados a um determinado alimento pesquisado; como, por exemplo, todos
aqueles que sejam preparados/produzidos com arroz, incluindo arroz cru. Este
processo é similar à tabela sul-africana SA Food Composition Database
(18), que também apresenta tabelas por grupos de alimentos, com dados de
energia, proteínas, lipídios, fibra alimentar e carboidratos, apresentado de
forma genérica; embora não haja esclarecimento refere-se aos carboidratos
totais, pois para o cálculo de energia foram utilizados dados de proteínas,
lipídios, carboidratos e fibra alimentar.
Para uma maior identificação com as necessidades dos usuários e com a
legislação sobre a rotulagem de alimentos industrializados (10) os dados da
TBCA-USP também são apresentados em medidas caseiras mais usuais para cada
alimento. Todos os dados do alimento, a respeito do qual se procura a
informação, são apresentados em uma única página, por 100g de porção
comestível e por gramas de determinada medida caseira/unidade. Um mesmo
alimento pode conter dados provenientes de vários bancos: composição
centesimal (CC); fibra alimentar (FA); amido resistente (AR); vitamina A e
carotenóides (VitA); ácidos graxos e colesterol (AcGr), outros de apenas um;
assim, durante a busca, ao lado do nome do alimento/produto/preparação surgem
siglas a fim de esclarecer ao usuário que tipo de informação pode ser
encontrada se aquele alimento for selecionado (Figura 4), a fim de evitar que
sejam selecionados alimentos sobre os quais não se tem a informação desejada
(8). No rodapé da página de dados do alimento selecionado pode ser encontrada
a recomendação de porcionamento daquele alimento para uma dieta de 2000 kcal
ou 8400 kJ, de acordo com a ANVISA (10), e a fonte de dados sobre o alimento, ou
seja, a publicação ou nome do laboratório ou empresa que analisou o produto
(Figura 5).
No Canadá foi criado, em 2003, o Canadian Nutrient Data System (19) para
interligar várias bases de dados, integradas com um software analitico.
Existe uma versão dirigida aos profissionais de saúde com 4943 alimentos e
dados de 112 nutrientes, e uma versão chamada resumida, Nutrient Value of
Some Common Foods com informações sobre 975 alimentos mais vendidos
naquele país, e dados de 19 nutrientes. Esta versão, em formato de tabela, separada
por grupos de alimentos, está disponível na Internet em pdf (http://www.hc-sc.gc.ca/food-aliment/ns-sc/nr-rn/surveillance/cnf-fcen/e_index.html).
Nessa versão resumida, os dados, diferentemente das demais tabelas, estão
apresentados em volume, com o respectivo peso, que correspondem a medidas
caseiras (1, ½ ou ¼ de xícara, 1 colher de sopa e 1 colher de chá) que
estão descritas no início do documento; esta forma de apresentação, embora
seja de fácil visualização para o usuário, não é usual, e dificulta a
comparação de dados de outras fontes, pois são necessárias conversões para
100g de alimento (8).
Para o cálculo de medidas caseiras na TBCA-USP foram levantadas informações
sobre cerca de 1700 alimentos, basicamente utilizando informações do Virtual
Nutri (20), e complementando com dados das indústrias de alimentos, quando o
programa não continha o produto. O mesmo levantamento foi feito para a porção
diária recomendada pelo Ministério da Saúde.
O banco de dados da TBCA-USP é composto atualmente por sete planilhas: cinco
planilhas de dados de nutrientes por 100g de alimento, uma planilha de
identificação geral e uma de medidas caseiras/unidade e porção recomendada.
No website é feita a interface entre essas planilhas utilizando o
código alfa-numérico de identificação do alimento. O nome do alimento é
composto através da seqüência de colunas preenchidas na planilha de
identificação, que segue a mesma ordem do formulário de compilação; e o
programa executa cálculos, cruzando as informações do banco de dados por 100g
com as gramas correspondentes à(s) determina(s) medida(s) caseira(s), que
aparecerão no resultado da Busca, ao lado das informações por 100g (Figura 5)
(8).
Nessa versão foram incluídas informações sobre cerca de 600 alimentos,
totalizando dados de 1838 alimentos e produtos, sendo 1200 referentes a
composição centesimal, 193 a fibra alimentar, 128 a amido resistente, 198 a
vitamina A e carotenóides e 119 a ácidos graxos e colesterol, em relação aos
três últimos nutrientes não houve alterações. Cabe lembrar que os dados de
composição centesimal apresentam dados de fibra alimentar em alimentos de
origem vegetal e em produtos industrializados que não sejam essencialmente de
origem animal; portanto, os 193 dados de fibra alimentar, referem-se a alimentos
dos quais não estavam disponíveis dados completos da composição centesimal
(8).
A TBCA-USP informa o nome do alimento/produto de maneira completa, incluindo
dados de alimentos/produtos crus e cozidos, assim como a tabela americana (13).
Esse tipo de informação é importante visto que grande parte dos alimentos
não são consumidos na forma crua, e alterações no conteúdo dos nutrientes
podem ocorrer em função do processamento. Nestas duas bases de dados os nomes
dos produtos industrializados vêm acompanhados do nome comercial a fim de
oferecer ao usuário uma rápida identificação do produto sobre o qual se quer
a informação. Na tabela alemã (14, 21) não se encontra este tipo de
informação, e os produtos de origem vegetal, em sua maioria, aparecem com
dados na forma crua, necessitando, portanto, da aplicação de fatores de
retenção de nutrientes e índices de cocção para o cálculo de dietas. A
versão desta tabela, que se encontra online, oferece um serviço de
cálculo de receita, porém tendo por base os alimentos crus, o que pode
comprometer o teor final de alguns nutrientes, já que podem ocorrer ganho/perda
de umidade e gordura e a complexação de nutrientes modificando assim a
proporção entre os macronutrientes, além de alterações sofridas pelos
micronutrientes em função do tipo de preparação a que o alimento foi
submetido.
O cálculo de preparações é bastante complexo. Este assunto vem sendo
discutido exaustivamente; inclusive, preconiza-se a implantação de normas de
procedimento para este fim, pois esta é uma parte importante na compilação de
dados de composição de alimentos e considerada essencial nos estudos de
consumo e ingestão (22,23). De acordo com Unwin (22) a utilização de
procedimentos consistentes, baseados em normas bem definidas, possibilitará que
resultados obtidos de diferentes sistemas de cálculos de receitas possam ser
comparados. Entre os aspectos abordados está a listagem de ingredientes e peso
de cada um deles; utilização de fatores de rendimento para alteração de
peso; modo de preparo; peso total e da porção (para que se possa relacionar a
lista de ingredientes de acordo com 100g da preparação pronta).
Hakala et al. (24) compararam teores de nutrientes obtidos por cálculo e
análise de dietas de redução de peso e concluíram que há uma boa
correlação entre a estimativa de ingestão por cálculo e por análise para
proteínas, lipídios, fibra alimentar e alguns minerais (cálcio, magnésio,
potássio e manganês), e também para carboidratos e energia, embora menor.
Porém, levantando alguns pontos problemáticos do estudo que podem prejudicar a
correlação, apontaram para as variações esperadas em função de variedade,
solo, estação do ano, formulação, e o efeito do processamento sobre alguns
nutrientes, já que os dados em tabelas muitas são apresentados crus enquanto a
dieta apresenta muitos alimentos cozidos.
Entre as tabelas disponíveis na Internet,
a tabela dinamarquesa Danish Food Composition Databank (16), a Souci-Fachmann-Kraut
(14), a do USDA (13), a da rede LATINFOODS (11), a da
Argentina (21), a TACO (26) e a TBCA-USP (1) apresentam dados de umidade e
cinzas, o que possibilita a completa avaliação da composição centesimal, a
conversão de dados para base seca durante comparações e a importação/
exportação de dados.
Em relação aos dados de fibra alimentar
e forma de cálculo do conteúdo energético, não há um consenso entre as
diversas tabelas de composição de alimentos; paralelamente quase todas
utilizam carboidratos calculados por diferença, com exceção da tabela alemã
(14) que apresenta dados analíticos das diferentes frações. Na tabela
canadense (19) não há dados disponíveis de fibra alimentar para todos os
alimentos, desta forma muitos vêm acompanhados da sigla (N/A – não
analisada) e, neste caso, o teor energético é calculado sobre os carboidratos
totais; estas informações estão misturadas com dados de teor energético
calculado sobre carboidratos disponíveis quando o teor de fibra alimentar é
conhecido. O mesmo ocorre na tabela argentina (25). Esta prática foi adotada
para não inutilizar uma grande parcela de informações sobre outros
nutrientes, analisados anteriormente e por métodos adequados, o que também
acontece na Tabela do LATINFOODS (11). É importante ressaltar que nestas três
tabelas podem ocorrer superestimação do valor energético de alimentos,
principalmente daqueles que contém alto teor de fibra alimentar. A adoção
deste tipo de procedimento, ou seja, elaboração de tabelas com dados
calculados por diferentes formas, não é a recomendável, pois pode dificultar
a seleção da informação, caso o usuário não esteja familiarizado com o
processo de elaboração de tabelas de composição de alimentos e com as
implicações em termos de teor energético.
Na tabela da Dinamarca (16) a fibra
alimentar foi analisada pelo método adequado, mas o teor energético foi
calculado sobre o teor de carboidratos totais. Nas tabelas da Nova Zelândia
(17) e da África do Sul (18) não há explicações sobre como o cálculo de
energia é efetuado, nem referência sobre os fatores de conversão utilizados,
somente através de cálculos é possível observar que a fibra alimentar é
utilizada com o mesmo fator dos carboidratos (4kcal ou 17kJ).
A tabela da Finlândia Finnish Food
Composition Database (15) apresenta dados tanto de carboidratos totais por
diferença e de carboidratos disponíveis pela soma dos componentes, e o teor
energético sobre este último valor. No entanto, com relação à fibra
alimentar apresenta dados de fibra insolúvel, que é descrita como celulose,
lignina e polissacarídios insolúveis, e fibra bruta descrita como celulose,
hemicelulose, lignina, gomas e pectinas segundo método da AOAC. Não há
determinação da fibra solúvel, nem da fibra alimentar total, nem menção aos
métodos adotados.
Como se pode observar, diferentes
definições de macronutrientes e fatores de conversão vem sendo adotados,
especialmente no que se refere a carboidratos e fibra alimentar, apesar do
esforço internacional relativo à harmonização de dados de composição de
alimentos realizado pelo INFOODS e FAO. A FAO (27) publicou em 2003 um trabalho
técnico sobre as definições mais aceitas sobre macronutrientes e fatores de
conversão de energia, os quais, se forem adotados de maneira global poderiam
contribuir para a harmonização internacional e, permitiriam a comparação
entre conteúdo energético e de nutrientes entre diferentes tabelas. Nesse
aspecto considera-se que a adoção dos identificadores do INFOODS (tagname),
já representaria um avanço (28).
Na Tabla de Composición de Alimentos
de América Latina (11) podem ser encontradas informações de até 24
componentes, para 4691 alimentos distribuídos em diferentes grupos. Os países
participantes do LATINFOODS (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia,
Costa Rica, Cuba, Equador, Honduras, México, Peru, República Dominicana,
Uruguai e Venezuela) utilizam em suas bases locais os padrões propostos pelo
INFOODS, e adotados pelo LATINFOODS, tais como identificadores (tagnames)
e divisão por grupos de alimentos, e vêm discutindo, através de conferências
e outras atividades, formas de padronização de compilação e análise de
alimentos visando obter dados de qualidade e harmonizados em composição de
alimentos.
Por serem países de realidades muito
diferentes, a padronização de metodologia analítica para alguns nutrientes
torna-se muito complicada, pois a disponibilidade de recursos e pessoal é
bastante variada; ainda hoje, por exemplo, o método enzímico-gravimétrico
para determinação da fibra alimentar não é adotado por parte de muitos
países, o que se reflete na tabela regional, que além de não disponibilizar
esse dado para muitos alimentos, tem seus dados de energia calculados de duas
formas diferentes, por diferença com carboidratos totais e/ou carboidratos
disponíveis.
É importante ressaltar que a TBCA-USP desde sua criação
vem apresentando dados de alimentos de forma individualizada, fornecendo
informações detalhadas sobre variedade, espécie, grau de maturação,
sazonalidade, entre outras. Estas informações são extremamente importantes do
ponto de vista nutricional, porque podem implicar em variações na quantidade
de nutrientes dos alimentos. Tal detalhamento vem, também, de encontro com a
preocupação que muitos organismos internacionais têm demonstrado em relação
à biodiversidade de alimentos, pois os bancos de dados e tabelas de
composição de alimentos, em sua maioria, apresentam valores médios de
amostras compostas ou provenientes de cálculos sobre dados de amostras
individuais. Paralelamente, muitos dados de qualidade eram descartados por serem
de cultivares não comerciais, sazonais ou de pequenas regiões, e atualmente se
reconhece que esses dados podem ser importantes para compor bancos
especializados nos campos da saúde, agricultura, comércio ou pesquisa (29).
Introdução de novos componentes na TBCA-USP Além de continuar alimentando a TBCA-USP com dados de novos alimentos, serão criados bancos de componentes específicos com ação funcional entre eles:
- flavonóides;
- vitamina C;
- frações de carboidratos (oligossacarídios, fibra alimentar, entre outros).
Em adição serão criados bancos referentes a capacidade antioxidante, índice glicêmico e carga glicêmica.
AGRADECIMENTOS Capes, CNPq e Projeto CYTED XI.18 pela concessão de bolsa e verba para pesquisa.
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Recibido: 04/08/2006 Aceptado: 05/12/2006
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