HOME > EDICIONES > Año 2007, Volumen 57 - Número 1
Trabajos de Investigación
O perfil de macronutrientes influencia a termogênese induzida pela dieta e a ingestão calórica
Helen Hermana Miranda Hermsdorff, Ana Carolina Pinheiro Volp, Josefina Bressan Universidad de Navarra, Pamplona, España. Universidade Federal de Viçosa.Viçosa, Brasil
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RESUMO O perfil de macronutrientes influencia a termogênese induzida pela dieta e a ingestão calórica A composição da dieta pode interferir diretamente na homeostase energética. No metabolismo energético, a via de oxidação e a termogênese induzida pela dieta são diferenciadas pela proporção de macronutrientes da dieta. Neste sentido, a dieta hiperprotéica é mais termogênica que as dietas hiperglicídicas e hiperlipídicas, enquanto que as dietas ricas em carboidrato parecem ser mais termogênicas que as ricas em lipídio, mas os resultados ainda são controversos. Em relação à ingestão calórica, a composição da dieta pode estimular ou inibir a mesma, de acordo com a palatabilidade dos alimentos e o grau de saciação e saciedade, relacionadas às quantidades de carboidrato, proteína e lipídio da mesma. Uma hierarquia tem sido relatada para a capacidade dos macronutrientes em induzir saciedade em que a proteína é o mais sacietógeno ao contrário dos lipidios, que são os menos sacietógenos. De modo geral, ainda há discrepâncias entre os estudos, em relação ao papel regulador dos macronutrientes em componentes do gasto energético e na ingestão calórica, devido às diferenças metodológicas como amostra, tempo de exposição à dieta, densidade calórica e conteúdo calórico total da mesma. Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo analisar as evidências científicas mais consistentes a respeito do papel modulador da composição da dieta na termogênese induzida pela dieta e na ingestão calórica, para melhor entendimento da prevenção e controle da obesidade pela intervenção dietética.
Palavras chave: Carboidratos, proteínas, lipídios, termogênese, metabolismo energético, ingestão calórica, obesidade.
SUMMARY Macronutrient profile affects diet-induced thermogenesis and energy intake The diet composition can interfere directly in the energy homeostase. In the energy metabolism, the oxidation pathway and diet-induced thermogenesis are differentiated by diet macronutrients proportion. In this respect, the high-protein diet is the most thermogenic, compared to high-carbohydrate and high-lipid diets, while high-carbohydrate diet appears to increase the thermogenic effect more than high-lipid diet, but the studies are controversies. Towards energy intake, it can stimulate or inhibit the energy intake, according to the foods palatability, satiation and satiety degree, related to diet carbohydrate, protein and lipid content. A hierarchy has been observed for the satiating efficacies of the macronutrients protein, carbohydrate and fat, with protein as most satiating and fat as least satiating. In general, there are discrepancies between studies about the regulatory role of macronutrients in the components of energy expenditure and intake, due the methodological differences in the subjects, exposition time for diet, energy density, and total energy content. The present work seeks to analyze the more consistent scientific evidences toward the modulator role of diet composition on the diet induced thermogenesis and energy intake, for better understanding of obesity prevention and control by dietetic intervention.
Key words: Carbohydrates, proteins, lipids, thermogenesis, energy metabolism, energy intake, obesity.
INTRODUÇÃO
O balanço energético, advindo do equilíbrio entre o gasto energético (GE) e
a ingestão calórica (IC), tem um importante papel no controle do peso e da
reserva de gordura corporal. Para entender como este balanço é perdido, é
necessário investigar a ingestão, oxidação, termogênese e estocagem dos
macronutrientes, a saber, carboidrato, proteína e lipídio, que juntos
influenciam na IC, no GE e no balanço energético (1).
A oxidação da proteína e do carboidrato
se ajusta espontaneamente à sua ingestão, mas isto não ocorre com o lipídio,
que é principalmente estocado durante a fase pós-prandial (2,3). A
termogênese induzida pela dieta (TID), por sua vez, tem o conteúdo calórico e
a composição da dieta como importantes moduladores (4,5). A proteína é o
macronutriente mais termogênico (6-8), enquanto que o poder termogênico do
carboidrato e lipídio ainda é controverso. Alguns estudos indicam que dietas
ricas em carboidrato têm maior efeito na TID que dietas hiperlipídicas (9-10),
enquanto outros não encontram diferença entre seus efeitos (6,11,12). A TID
parece ser também influenciada pelos estímulos sensoriais (13), de modo que o
aumento da palatabilidade dos alimentos está associado ao aumento da TID (4,6).
Em relação ao estado nutricional, os indivíduos obesos têm apresentado menor
resposta metabólica oxidativa (14-17) e termogênica (18-21) nos estados de
jejum e pós-prandiais, suportadas pela hipótese de que ação do sistema
nervoso simpático (SNS) é prejudicada pela redução do número e da
sensibilidade dos b-adrenorreceptores
(22-23).
A ingestão alimentar, um dos componentes
do balanço energético, está intimamente ligada às sensações de fome,
saciação, saciedade e apetite (24-25). Por isso, a influência dos
macronutrientes na IC é muito investigada, mas os resultados também são
controversos. Estudos mostram que
pessoas apresentam menor sensação de
fome, menor IC e maior saciedade após a ingestão de uma carga de proteína,
quando comparada à ingestão de cargas de carboidrato e lipídio (26-29). O
lipídio parece ter menor efeito sacietógeno que o carboidrato, além de
aumentar a palatabilidade dos alimentos e, apresentar maior conteúdo calórico
(30-32). Entretanto, em alguns estudos, não houve diferença entre dietas
hiperglicídicas e hiperlipídicas na saciedade, quando as mesmas apresentavam
densidade calórica e palatabilidade similares (26,33), o que sugere a
influência dessas características da dieta na IC.
Desse modo, o presente trabalho tem como
objetivo analisar as evidências científicas mais consistentes a respeito do
papel modulador da composição da dieta na termogênese induzida pela dieta e
na ingestão calórica, para melhor entendimento da prevenção e controle da
obesidade pela intervenção dietética adequada.
METODOLOGIA
Para a presente revisão, foi realizada uma busca a partir dos principais bancos
de dados nacional e internacional em saúde disponíveis na Internet: Web of
Science, Pubmed, Lilacs e Scielo (1990 – Abril, 2007), com o fim de se
apresentar e discutir as publicações mais relevantes sobre o tema. Foram
utilizadas as palavras chaves ‘carboidratos’, ‘proteínas’ e ‘lipídios’,
‘termogênese’, ‘metabolismo energético’, ‘ingestão calórica’,
‘obesidade’, em português e em sua respectiva tradução para as línguas
inglesa e espanhola, quando necessário.
Termogênese induzida pela dieta e o papel
dos macronutrientes
O balanço energético, fundamental para a manutenção do peso corporal dos
indivíduos, se faz pelo equilíbrio entre o GE e a IC. O fato de que o balanço
é mantido quando a energia ingerida é igual a que é gasta nos processos
metabólicos e atividade física, sugere que alta prevalência de gordura
corporal total (GCT) é, provavelmente, causada por um ou mais fatores: (a)
alterações no gasto energético pela atividade física; (b) alterações na
eficiência do turnorver metabólico (termogênese); (c) alterações na
IC. Para entender como este balanço é perdido, faz-se necessário investigar a
ingestão, oxidação e estocagem dos macronutrientes, a saber, carboidrato,
proteína e lipídio, que juntos determinam a IE, o GE e o balanço energético
(1).
A oxidação celular dos substratos é
determinada pela necessidade do organismo em gerar adenosina trifosfato (ATP),
utilizado nas diferentes funções metabólicas (manutenção de temperatura,
atividades, etc.). A composição dos substratos metabólicos, destinada a
fosforilação oxidativa, varia consideravelmente durante o dia (5). O quociente
respiratório não protéico (QRNP), razão entre o volume de CO2 expirado e
volume de O2 inspirado, indica a proporção de GE na oxidação de carboidrato
e lipídio, enquanto que a oxidação de proteína é independentemente estimada
pela excreção de nitrogênio urinário de 24 horas (1).
A ingestão alterada de carboidrato não
causa imediatamente mudanças na sua oxidação, sendo necessário um tempo para
ajustar o QRNP ao novo estado (um a três dias). Após uma semana de dieta rica
em carboidrato ou em proteína, a oxidação do macronutriente está equilibrada
(1). Chawalibog & Thorbek (34) obtiveram uma redução significativa da
oxidação noturna de carboidrato (5-7g de carboidrato/ hora) em comparação a
oxidação de carboidrato durante o dia (12-14g de carboidrato/ hora). Esta
diferença pode ser explicada pela necessidade de manutenção da homeostase
glicídica. Durante o dia, enquanto o carboidrato é ingerido, as reservas de
glicogênio permanecem saturadas e então, a maior parte do carboidrato ingerida
é oxidada. Durante a noite, período de jejum, as reservas de glicogênio
precisam ser utilizadas, reduzindo o nível de oxidação do carboidrato para
preservação das mesmas.
Os QRNPs após a ingestão de uma dieta
rica em gordura são menores que os obtidos após a ingestão de uma dieta pobre
em gordura, devido à maior oxidação de lipídio na primeira (16,35).
Entretanto, estudos em modelos animais e em humanos demonstram que a alta
ingestão de lipídios pode causar uma redução na expressão de genes
envolvidos na cadeia transportadora de elétrons e na biogênese mitocondrial,
ou seja, na capacidade de fosforilação oxidativa (36,37). O lipídio,
portanto, diferentemente do carboidrato e da proteína, que ajustam sua
oxidação a sua ingestão, é principalmente estocado durante a fase
pós-prandial (2,3,5). Além disso, o grau de saturação, a posição do ácido
graxo (AG) no glicerol e o número de carbonos da cadeia do AG podem influenciar
no metabolismo pós-prandial dos lipídios. Por exemplo, em modelos animais,
dietas ricas em ácidos graxos poliinsaturados levaram a um menor acúmulo de
gordura corporal, reduziram o QRNP e aumentaram a TID (27). Em humanos, as
dietas hiperlipídicas ricas em ácidos graxos poliinsaturados promoveram menor
acúmulo de gordura corporal que dietas ricas em ácidos graxos monoinsaturados,
por estimulação da TID (5). Outros estudos obtiveram menor QRNP e maior
oxidação de lipídio após ingestão de diglicerídios (DG), comparados a
ingestão de triglicerídios (TG). A hipótese que justifica este resultado é a
diferença no metabolismo dos DG e TG nos períodos pré e pós-absortivos. O TG
é hidrolisado pela 1,3 – lipase em 1,2-DG ou 2,3-DG, que por sua vez, são
hidrolisados em 2-monoacil-glicerol e AG para serem absorvidos na mucosa
intestinal e transportados às células como quilomícrons. Os DG são, em sua
maioria, consumidos na forma de 1,3-DG que são hidrolisados em AG e glicerol e
transportados via sistema porta ao fígado, onde são preferencialmente oxidados
(38). Este mecanismo também justifica as menores concentrações plasmáticas
de TG em jejum (39) e em estado pós-prandial (40) e menor acúmulo de gordura
no tecido adiposo abdominal (41) após ingestão de dietas ricas em DG. Os TG
contendo AG de cadeia longa (TCL) e AG de cadeia média (TCM) também têm sido
investigados. As dietas em que 30 a 60% do valor calórico total é consumido na
forma de TCM levaram a uma maior oxidação de lipídio (42-43), maior
oxidação de carboidrato (44) e maior TID (45) que as dietas em que a mesma
proporção calórica é consumida na forma de TCL. O mecanismo parece ser o
mesmo dos DG, em que os TCM são
transportados diretamente ao fígado via sistema porta e estimulam a b-oxidação
hepática. O aumento da concentração plasmática de b-
hidroxibutirato, após ingestão de DGs e TCM, indica o aumento da oxidação
hepática (38,42). Apesar do efeito benéfico no metabolismo do lipídio, a
utilização de TCM na alimentação habitual é dificultada por suas
características sensoriais, que levam a rejeição na maioria dos indivíduos,
mesmo em pequenas porções.
Estes resultados mostram que a resposta
oxidativa, principalmente pós-prandial, está associada à proporção de
macronutrientes oferecida na dieta. Para o lipídio, é ainda importante levar
em consideração as quantidades de gorduras saturadas, mono e poliinsaturadas,
bem como a presença dos DG e TCM.
A TID é o gasto energético gerado pelos
processos de ingestão, digestão, absorção, utilização e estocagem dos
alimentos ingeridos. Ela representa 5% a 15% do gasto energético total, o que
indica seu importante papel na regulação do balanço energético e do peso
corporal. Em uma dieta mista, a TID pode representar um gasto energético de 10%
a 15% do conteúdo calórico de uma dieta mista, mas quando os macronutrientes
são ingeridos separadamente, a proteína, o carboidrato e o lipídio apresentam
TID de 20% a 30%, 5% a 10% e 0% a 3% do valor calórico total ingerido,
respectivamente. A TID é composta por duas fases distintas. A fase cefálica ou
facultativa ocorre pela ação do sistema nervoso simpático (SNS), ativado
pelas características sensoriais da dieta, enquanto a fase gastrointestinal ou
obrigatória se caracteriza pelo gasto energético na fase de absorção e
utilização dos nutrientes pelo consumo de ATP (45,46).
Entre os vários fatores que modulam a
TID, o conteúdo calórico e a composição da dieta são os mais importantes
(4,5, 46).
A proteína é o macronutriente mais
termogênico, levando a um gasto energético de 19% da energia ingerida para sua
utilização e estocagem, enquanto que o lipídio, necessita de um gasto 3% para
o mesmo metabolismo (6,7,27). Ao mesmo tempo, o efeito térmico da proteína é
50% a 100% maior que do carboidrato, geralmente atribuído ao custo metabólico
da síntese de peptídeo ligante, ureogênese e gliconeogênese (29). Os estudos
sobre o efeito termogênico do carboidrato e lipídio ainda são controversos.
Labayen et al (9) e Tentolourius et al (10) obtiveram maior TID após a
ingestão de dieta rica em carboidrato, comparado a ingestão de dieta rica em
lipídio, suportados pela hipótese de que o carboidrato é capaz de ativar o
SNS pela resposta insulínica pós-prandial (10,47). Por outro lado, outros
estudos em que a ingestão de dietas ricas em carboidrato e em lipídio não
apresentou diferença significante na TID (6,11,12,48). Em relação ao tipo de
carboidratos e lipídios, a TID é maior após ingestão de dietas ricas em
carboidratos complexos, comparadas a dietas ricas em açucares (49,50) e após a
ingestão de dietas ricas em TCM, comparadas a dietas ricas em TCL (42). Desse
modo, não só a quantidade de carboidrato e lipídio oferecida na IC é
importante no efeito térmico da dieta, mas também sua qualidade pode ser
manipulada para obtenção de maior gasto energético pós-prandial.
A TID é reduzida em homens alimentados
diretamente no estômago, comparada a TID dos 30 a 40 minutos após uma
alimentação oral (fase cefálica da TID). Este resultado sugere que a TID pode
ser influenciada pelos estímulos sensoriais (aparência, aroma, textura) da
dieta. Em estudo com ratos, a ingestão de dieta palatável rica levou ao
aumento da IC e maior ganho de peso, comparado a ingestão de uma dieta
controle. Em outro estudo, depois da ingestão de dieta palatável, a TID foi
maior em magros, associada a uma maior excreção de noradrenalina (maior
resposta metabólica), enquanto que em obesos a TID não apresentou diferença
significativa. A deficiência nos obesos de aumentar a TID pela dieta pode estar
relacionada a diferentes respostas físicas, fisiológicas e psicológicas para
estimular a TID, na sua fase cefálica (51). Ao mesmo tempo, não houve efeito
da palatabilidade na TID em jovens e idosos em 6 horas de leitura
pós-refeição, ou, em adultos após carga lipídica com a presença ou não da
estimulação oral, sugerindo que o efeito da palatabilidade na hiperfagia pode
não ser atenuado pelo gasto energético e, causar efeito direto na mudança da
composição corporal (52-53). É importante notar que a composição da dieta
(em açúcar e lipídio) pode influenciar os resultados sobre o efeito da
palatabilidade na TID. Deste modo, as discrepâncias nos estudos da influência
hedônica na TID podem estar relacionadas com as diferenças nos graus de
palatabilidade das dietas e outras características como: tamanho,
consistência, familiaridade, duração da estimulação sensorial e estresse
psicológico induzido pela dieta. Além disso, variações individuais podem
interferir na TID e na palatabilidade como resistência insulínica,
composição corporal e idade, que estão negativamente associados à TID (53).
Além destes fatores, o tempo de leitura e a carga calórica oferecida
interferem na capacidade de detecção das repostas da TID em relação aos
macronutrientes e à palatabilidade. Geralmente, a TID necessita de uma leitura
de 4 a 8 horas para ser determinada, mas o tempo do aumento do GE pós-prandial
que inclui a TID total e seu valor de pico varia bastante entre os estudos (4).
Os valores de TID estão aumentados para dietas ricas em álcool e proteína no
final de 5 horas de leitura, sugerindo que os efeitos destas refeições foram
pronunciados por período mais longo (11). Após ingestão de uma dieta mista, a
TID pode ser determinada em uma leitura de 3 horas, quando o conteúdo calórico
está entre 360 e 620 kcal, ou ainda, quando o mesmo é equivalente a,
aproximadamente, 15% do gasto energético total. Para dietas que oferecem 35% a
45% das necessidades energéticas, seriam necessárias 8 horas de leitura
(18,48). A variabilidade da TID também se deve à pequena magnitude da sua
resposta num longo período de tempo, à influência do processo pós-prandial
de nutrientes e a variabilidade intra-individual. Para um estudo obter efeito do
tratamento ou diferença entre grupos de 10, 25 ou 50% na TID (a=
0,05; b= 0,10 ou 0,20)
seria necessária uma amostra maior que 10 indivíduos por grupo (18).
A TID é modulada, portanto, por vários
fatores, o que dificulta na determinação da real influência dos
macronutrientes da dieta. Entretanto, o efeito destes macronutrientes na
oxidação e gasto pós-prandial indicam a importância da composição da dieta
na homeostase energética.
A Tabela 1 mostra os principais resultados relacionados ao
efeito da composição dieta na TID.
TABELA 1
Principais resultados científicos sobre o papel dos macronutrientes
da dieta na termogênese induzida pela dieta
|
| Autor (ano)
|
Amostra
|
Composição da dieta
|
Resultados
|
|
| Crovetti et al. (6) |
Mul E |
DRP (68%) vs. DRC (60%) vs. |
A TID foi maior após ingestão de DRP |
|
(n=10)
|
DRL (70%)
|
Não houve diferença entre as TIDs de DRC e DRL
|
| Westerterp-Platenga |
Mul E |
DRC/P (61%C-29%P- 10%L) vs. |
A TID foi maior após ingestão de DRC/P comparada a DRL |
et al. (7)
|
(n=8)
|
DRL (30%C-9%P- 61%L)
|
|
| Tentolouris et al. (10) |
Mul E/SB |
DRC (95%C) vs. DRL (88%L) |
A TID foi maior após ingestão de DRC em Mul E e SB |
|
(n=15/15)
|
|
Não houve diferença entre os grupos
|
| Raben et al. (11) |
Hom/Mul E |
DRC (65%C-12%P-23%L) vs. |
A TID foi maior para DRA, comparada às outras dietas |
| |
(n=10/9) |
DRP (37%C-32%P-31%L) vs. |
Não houve diferença entre DRC, DRP e DRL |
| |
|
DRL (24%C-12%P-64%L) vs. |
|
|
|
DRA (43%C-12%P-24%L-23%A)
|
|
| Johnston et al. (29) |
Mul E |
DRP (40%C-30%P- 30%L) vs. |
A TID após ingestão de DRP foi duas vezes |
|
(n=8)
|
DRC (60%C-15%P- 25%L)
|
maior comparada a de DRC
|
| Marques-Lopes |
Hom E/SB |
DRC (80%C-17%P-3%L) |
Obesos apresentaram maior TID com DRC |
et al. (47)
|
(n=6/7)
|
|
|
| Suen et al. (48) |
Mul OB |
DRC (72%C-12%P-16%L) vs. |
Dietas hipocalóricas durante 7 dias |
| |
(n=7) |
DRP (35%C-43%P-26%L) vs. |
Não houve na TID entre as dietas |
|
|
DRL (10%C-22%P-68%L)
|
|
| Sawaya et al. (52) |
Hom E |
Dieta com 65%C-12%P- 23% L, |
Não houve diferença no efeito da palatabilidade na TID, |
|
(n=20)
|
palatável vs. não palatável
|
mas QRNP foi maior para dieta palatável
|
| Tittelbach & Mattes |
Hom/Mul |
DRL (7%C-15%P-78%L) |
Estímulo orosensorial não alterou a TID |
| (53) |
(n=8/8) E/SB |
em cápsulas ou com estímulo oral |
|
|
| E: indivíduos eutróficos; SB: indivíduos com sobrepeso; OB: indivíduos obesos; Mul: mulheres; Hom: Homens; C: carboidrato; P: proteína; L: lipídio; A: álcool; DRC: dieta rica em carboidrato; DRP: dieta rica em proteína; DRL: dieta rica em lipídio; DRA: dieta rica em álcool; TID: termogênese induzida pela dieta; QR: quociente respiratório. |
Como comentado anteriormente, o SNS tem
importante papel na regulação da termogênese e utilização de lipídio.
Estudos em que catecolaminas e epinefrina (ambos a-
e b- adrenoreceptores) são
infundidas, o gasto energético é aumentado por meio do aumentado da lipólise
e da oxidação de lipídio (22). Em humanos, é proposto que a termogênese
seja mediada por b1- e b2-
adrenoreceptores, diferentes de outros mamíferos em que a ativação da
termogênese ocorre via b3-
adrenoreceptores (54). O SNS, via b-
adrenoreceptores excita a resposta termogênica via ativação
das proteínas desacopladoras de elétrons (uncoupling
protein; UCP), que liberam a energia eletroquímica advinda da fosforilação
oxidativa respiratória na forma de calor, sem geração ATP
(54,56). O
SNS pode ser estimulado por corticotropina (CRH) ou inibido pelo neuropeptídeo
Y (NPY), sendo mediado, portanto, por peptídeos ligados a homeostase
energética. Sua atividade também é aumentada em resposta à alimentação (~5
a 10%) principalmente quando o conteúdo de energia da dieta é aumentado, por
exemplo, pelo consumo de alimentos palatáveis. A ingestão de carboidrato, mas
não de proteína e lipídio é acompanhada de aumento na atividade do SNS em
animais e humanos, enquanto que em estado de jejum os níveis de noraepinefrina
e batimentos cardíacos são reduzidos em magros e obesos (efeito inibitório).
A glicemia pós-prandial modulada pela ingestão de carboidratos também
interfere na homeostase energética do SNS, associada às alterações da
insulina, leptina e glicorticóides, via alteração da captação e
utilização de glicose nos tecidos hepático, muscular e adiposo (54,55).
Além disso, indivíduos podem ser mais
susceptíveis ao ganho de peso após o consumo de dietas ricas em lipídios, em
presença de polimorfismos genéticos das UCPs, descritas anteriormente por sua
ação termogênica. A UCP-1 se localiza no tecido adiposo marrom, adquirindo
importância especial durante os primeiros anos de vida, quando este tecido se
apresenta em maiores concentrações. Em estudo realizado com crianças entre 8
a 11 anos, aquelas que continham o polimorfismo resultante da substituição de
adenina por guanina na posição -386 (alelo GG) da região promotora do
cromossomo 4, apresentaram uma TID menor que as crianças com presença de alelo
AA + AG, após consumo de dieta rica em lipídios (70% do valor calórico total)
(36,37). Em relação as UCPs 2 e 3, elas são expressas no tecido adiposo
branco, no músculo esquelético e em outros tecidos (fígado, timo, pulmão,
coração, rins), indicando que a regulação termogênica pelas UCPS também
pode ocorrer na fase adulta e é difusa pelo organismo (54-55, 57). Em ratos a
expressão das UCPs 2 e 3 estão elevadas em resposta à dieta rica em lipídios
no cérebro e no músculo esquelético, respectivamente (57). Com relação à
interação polimorfismo genético e fenótipo, a existência de polimorfismo
genético na UCP-2 em humanos, representada pela substituição de guanina por
adenina na posição -866 da região promotora do cromossomo 11, também está
relacionada com maior risco para obesidade e hipertensão arterial. Sobre a
UCP-3, as mutações existentes são de muito baixa freqüência (56).
A composição da dieta tem forte poder
modulador na resposta metabólica oxidativa e termogênica nos estados de jejum
e pós-prandiais, mas em obesos essa resposta pode ser reduzida. Estudos,
comparando a resposta oxidativa de indivíduos magros e obesos, relatam uma
maior oxidação do lipídio após dieta rica em lipídios em magros, mas não
em obesos (14-17, 20). Isso porque o GE é menor nos obesos, agindo como uma
força que se opõe às alterações da dieta (aumento do valor calórico em
lipídios) e mantém a alta reserva de gordura corporal, por um balanço
energético positivo (14, 20, 58). Em
indivíduos obesos, a lipólise e a oxidação de lipídios via ação do SNS é
reduzida pela redução do número e da sensibilidade dos b-adrenorreceptores
(22,23). A participação de peptídeos na ativação do SNS sugere uma
associação entre a composição corporal e a resposta metabólica (10,48,54).
Em relação a TID, é mais significante o número de estudos em que a mesma é
menor em obesos e pós-obesos. Outros estudos ainda mostram uma forte
correlação negativa entre a TID e a resistência insulínica e, as
concentrações plasmáticas de ácidos graxos livres, enquanto que as
concentrações de leptina são positivamente associadas à TID (18-21). Estes
dados suportam, portanto, a hipótese de que a TID, apesar de representar
pequena proporção do GE total, tem papel relevante na patogênese da obesidade
e da síndrome metabólica.
De acordo com os estudos apresentados e
discutidos, a proteína é o macronutriente que proporciona maior GE, enquanto
que o carboidrato parece ser o segundo macronutriente no GE, devido a sua ação
no SNS e na liberação de hormônios relacionados a homeostase energética
(insulina, leptina). O lipídio, portanto, tem fraco poder no GE, facilitando o
acúmulo de gordura corporal, principalmente em indivíduos já obesos. Apesar
disso, a modulação do tipo de lipídio a ser oferecido na intervenção
dietoterápica pode ser uma alternativa interessante para minimizar o efeito
deletério do lipídio.
Ingestão calórica e o papel dos
macronutrientes
Sendo a ingestão alimentar um dos
componentes do balanço energético, faz-se necessário destacar os vários
processos que estão intimamente ligados ao ato de se alimentar como a fome,
saciação, saciedade e apetite. A fome é a força que leva ao ato de se
alimentar, podendo se referir à sensação ou ao desejo conscientes de obter e
comer alimentos (24,25). A saciação é o processo em que o período de
alimentação é interrompido e a saciedade é o estado de inibição da
alimentação que ocorre entre as refeições. O apetite, por sua vez, é o
desejo físico e emocional por um alimento específico (24,59).
Uma diferença em torno dos sinais
responsáveis por nosso comportamento alimentar gera um padrão alimentar
baseado nas refeições. Estes sinais interferem em diferentes tempos após a
ingestão alimentar. A saciedade sensorial específica reflete o processo
precoce da saciedade, ou seja, é o momento em que há pouca influência da
digestão e absorção de nutrientes na saciedade e as propriedades sensoriais
específicas inibem a alimentação, principalmente por alimentos de
características semelhantes (59,60). Esta fase da saciedade é uma resposta
cefálica iniciada pela visão, aroma e sabor dos alimentos, em que os sinais
são a salivação, resposta gástrica, secreção pancreática e eventos
intestinais (24). Uma outra etapa se inicia 20 a 30 minutos após o início da
ingestão, ou seja, depende de mudanças pré-absortivas, como distensão
gástrica, taxa de esvaziamento gástrico, liberação de hormônios
(colecistocinina), estimulação do nutriente no trato gastrointestinal por meio
de receptores fisioquímicos (24,33). A fase pós-absortiva da saciedade inclui
mecanismos de ação de metabólitos após a absorção no intestino e sua
entrada na corrente sanguínea como a glicose e aminoácidos, que podem agir
diretamente no cérebro ou podem influenciar indiretamente, via neurônios
aferentes pós-estimulação de quimoreceptores ou, ainda, via modulação
hormonal (insulina, ghrelina, leptina) (24,61). Deste modo, a influência dos
macronutrientes na IC, por meio de mecanismos orosensoriais, pré e
pós-absortivos, tem sido muito investigada.
Em relação aos mecanismos orosensoriais
de saciedade dos macronutrientes, alguns investigadores sugerem que a
palatabilidade tem grande efeito sobre a saciação, e não na saciedade, ou
seja, a palatabilidade poderia interferir no consumo ad libitum durante a
refeição, aumentando o apetite e modificando o perfil de alimentos ingeridos,
mas não na IC, horas após a refeição (18,24,62). Entretanto, alguns estudos
mostram que o estímulo orosensorial exerce grande influência na manutenção
da refeição e no desenvolvimento da saciedade (30,59,63,64). A palatabilidade
é associada a relações complexas entre respostas sensoriais aprendidas ou
não do alimento e a preferências condicionais ao sabor e ao odor. Esta
preferência a alimentos específicos, em humanos, é influenciada pelo
conteúdo calórico, advindo de carboidratos e lipídios e não de proteína que
é considerada pouco palatável (31,61). O sabor doce, principalmente, parece
ter efeito na saciedade (30,62,65). Isto poderia nos levar a pensar que o uso de
adoçantes artificiais diminuiria a IC e manteria a saciedade, mas isso não é
verdade. A sacarina, a sucralose e o aspartame contribuem para o sabor doce nos
alimentos, e somente são associados ao aumento da saciedade, quando
acompanhados de conteúdo calórico (62,65). O intervalo entre as refeições é
ainda associado positivamente com a carga de açúcar (30). Deste modo, não a
palatabilidade per se, mas o sabor doce dos carboidratos simples,
associado ao seu conteúdo calórico estimula a saciedade. O lipídio, por sua
vez, não apresenta uma relação positiva entre a palatabilidade e a saciedade
(30,66), o que sugere que esse macronutriente aumenta a IC por apresentar melhor
palatabilidade e não ter efeito no intervalo entre as refeições.
Além de diferentes efeitos sensoriais, a
proteína, o carboidrato e lipídio têm diferentes ações nos mecanismos pré
e pós-absortivos da saciedade. Estudos mostram que pessoas têm menor fome,
maior saciedade e apresentam menor IC após a ingestão de proteína, quando
comparada à ingestão de carboidrato e lipídio (6,26-29). Dentre os processos
envolvidos no maior poder sacietógeno da proteína destacam-se: 1) Sua menor
palatabilidade em relação aos outros macronutrientes e conseqüente IC
reduzida; 2) A presença de quimio-rreceptores no lúmen intestinal que são
ativados pelos aminoácidos e promovem a saciedade por via aferente do nervo
vago ao núcleo do trato solitário, localizado no hipotálamo; 3) Produção de
neurotransmissores (serotonina, histamina) e de catecolaminas (dopamina,
adrenalina e noradrenalina), dependente de aminoácidos precursores (histidina,
triptofano, tirosina), que levam a uma redução na IC e um aumento no GE (61).
Em relação ao efeito do carboidrato e do
lipídio na saciedade, alguns investigadores identificaram maior poder
sacietógeno do carboidrato em relação ao lipídio (30, 32, 44). As hipóteses
que justificam as diferenças entre esses macronutrientes na promoção da
saciedade estão relacionadas à hierarquia dos mesmos na resposta oxidativa e
termogênica. A teoria glicostática propõe, por exemplo, que a glicemia indica
a quantidade de energia disponível ou necessária, em relação à utilização
de glicose pelos tecidos, por meio de receptores glico-sensíveis em neurônios
centrais (hipotálamo) e periféricos (nervo vagus) (44,67). Maiores
taxas de utilização de glicose comparada aos seus estoques poderiam estimular
a IC seguinte e, o inverso também (68), sendo a insulina sinal direto para
saciedade (59). Esta teoria suporta a hipótese de que alimentos com alto
índice glicêmico (IG) teriam maior efeito na saciedade que alimentos de baixo
IG devido a maiores concentrações de glicose e liberação de insulina
pós-prandiais (62). Entretanto a relação entre IG e saciedade deve ser
avaliada com cuidado, pois o IG é uma unidade de medida específica para
avaliar a resposta glicêmica de 50 g de carboidrato padrão (glicose ou pão
branco) e não para dietas com diferentes proporções de carboidrato, proteína
e lipídio. Além disso, outros mecanismos pré e pós-absortivos do carboidrato
estão envolvidos no seu poder sacietógeno (cocção, conteúdo de fibras,
tipos de carboidrato) (58,69).
Uma outra hipótese é que a diferença
entre os macronutrientes em relação ao efeito na saciedade está associada
diretamente ao seu efeito no gasto energético e oxidação pós-prandial. A
proteína é o macronutriente mais termogênico e seu aumento obrigatório no
metabolismo após ingestão de aminoácidos é mais fortemente relacionado com a
saciedade que na ingestão de carboidrato, que por sua vez, é maior que na
ingestão de lipídios. Em um estudo, as diferenças na área abaixo da curva de
saciedade foram correlacionadas com diferenças na TID, maior e menor, para
dietas hiperglicídicas e hiperlipídicas, respectivamente. (7) Desta forma, a
hierarquia para a saciedade produzida pelos macronutrientes seria parcialmente
relacionada com a hierarquia em que os estoques são regulados para disposição
oxidativa. A relação pode ser direta ou causada pelo reflexo de outros eventos
neuroendócrinos presentes (6,8,61).
Por outro lado, outros estudos não
obtiveram efeitos do carboidrato e do lipídio significantemente diferentes
(6,11). Quando dietas ricas em de carboidrato e lipídio são oferecidas,
apresentando mesma densidade calórica e palatabilidade, estas parecem não
exercer uma resposta fisiológica suficiente para detecção na motivação de
comer e saciedade (26,33,70). Ao mesmo tempo, em indivíduos com peso normal e
em obesos, a densidade calórica e o volume das refeições oferecidas são
positivamente relacionados ao retardo da saciação e à maior IC, sem causar
alguma compensação na saciedade e, ou, na IC seguinte (64,71,72). Apesar do
maior volume da refeição promover maior ingestão, em estudos em que o
conteúdo calórico era idêntico em dieta com pequeno e grande volume, a
saciedade foi maior para a última (73). Tais resultados indicam que o maior
conteúdo calórico consumido em dietas com alta densidade calórica ou em
refeições de grande volume pode levar ao aumento da IC, independente da
composição da dieta.
Deste modo, duas características dos
alimentos ricos em gordura influenciam no seu fraco efeito inibitório durante a
ingestão, nas refeições seguintes e na maior captação de energia: (1) São
alimentos muito palatáveis, que pode causar um feedback positivo na
alimentação (maior apetite) e, conseqüentemente menor saciação; (2)
Aumentam a densidade calórica, o que leva a uma menor distensão gástrica,
menor estimulação de mecanoreceptores e, conseqüente redução na saciedade.
A Tabela 2 mostra os principais resultados
relacionados ao efeito da composição dieta na IC.
TABELA 2
Principais resultados científicos sobre o papel dos
macronutrientes da dieta na ingestão calórica
|
| Autor (ano)
|
Amostra
|
Composição da dieta
|
Resultados
|
|
| Crovetti et al. (6) |
Mul E |
DRP (68%) vs. DRC (60%) vs. |
A saciedade foi maior para DRP |
|
(n=10)
|
DRL (70%)
|
Não houve diferença entre a saciedade de DRC e DRL
|
| Fischer et al. (8) |
Hom E (n=17) |
400 kcal |
Saciedade imediatamente após refeição maior e fome |
|
|
DRC (100% C) vs. DRP |
menor para DRP. |
|
|
(100%P) vs. DRL (100% L)
|
Desejo de comer maior para DRL
|
| Jonhstone et al. (26) |
Hom E |
DRC (61%C/10%P/29%L) vs. |
A fome foi menor e a saciedade maior para DRP, |
| |
(n=6) |
DRP (34%C/37%P/28%L) vs. |
seguida de DRC e DRL |
|
|
DRL (33%C/10%P/37%L)
|
Não houve diferença na ingestão calórica seguinte.
|
| Poppitt et al. (28) |
Mul E (n=12) |
DRC (68%C/11%P/21%L) vs. |
A saciedade foi maior para DRP |
| |
|
DRP (20%C/68%P/20%L) vs. |
Não houve diferença entre a saciedade de DRC e DRL |
|
|
DRL (21%C/11%P/68%L)
|
|
| St-Onge et al. (50) |
Hom E |
600 kcal |
A saciedade foi maior e a IE seguinte foi menor |
| |
(n=20) |
DRCC(67%C-17%P-16%L) vs. |
para DRCC |
|
|
DRS (67%S-17%P-16%L)
|
|
| Vozzo et al. (70) |
Hom E |
720 kcal |
Não houve diferença entre dietas para |
| |
(n=16) |
DRC (60%C/14%P/26%L) vs. |
a ingestão calórica seguinte. |
| |
|
DRP (44%C/29%P/27%L) vs. |
|
| |
|
DRL (42%C/16%P/42%L) |
|
|
| E: indivíduos eutróficos; Mul: mulheres; Hom: Homens; C: carboidrato; P: proteína; L: lipídio; A: álcool; S: Sacarose; DRC: dieta rica em carboidrato; DRP: dieta rica em proteína; DRL: dieta rica em lipídio; DRA: dieta rica em álcool; DRCC: Dieta rica em carboidrato complexo; DRS: dieta rica em sacarose. |
Um dos maiores problemas na investigação
da IC é a acurácia na medição da ingestão alimentar de indivíduos e
população. O relato subestimado (quando ingestão calórica é menor que gasto
energético calculado ou medido), de forma consciente ou inconsciente é
reconhecidamente maior para indivíduos com sobrepeso ou obesos (74). Segundo
Barkeling et al. (75), obesos apresentaram maiores escores para fome e
desinibição para comer que indivíduos com peso normal em condições de vida
livre. Por outro lado, quando avaliados em laboratório, os escores para fome,
sensação de plenitude gástrica foram menores para os obesos. A explicação
para este comportamento é a inabilidade social, característica presente nos
obesos e que está relacionada à dificuldade em relatar com veracidade a
ingestão alimentar e as sensações de fome e saciedade. A relação inversa
entre IMC e IC, não é apenas resultado de registros subestimados, mas também
pode representar diferenças na atividade física, TID, capacidade oxidativa e
substrato oxidado, presença de hábitos restritivos, julgamentos
sensoriais associados aos aspectos cognitivos (aprendizado, memória, crenças e
conhecimento) (74,75). Obesos são mais responsivos a fatores externos como o
horário do dia, presença do alimento e eventos situacionais e, menos
sensíveis a fatores internos como os sinais fisiológicos de fome e saciedade
(31).
Desta forma, vários fatores contribuem
para os diferentes resultados encontrados quando se avaliam os efeitos da
composição da dieta na ingestão e apetite. Dentre eles, pode-se citar a
palatabilidade, o perfil de macronutrientes da dieta, a densidade calórica, o
volume da refeição oferecida, o grau de conhecimento sobre o alimento que
está sendo consumido, a interação dos efeitos da dieta com os hábitos
alimentares das pessoas em estudo e as características dos indivíduos (idade,
sexo, restrição alimentar, composição corporal).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O gasto energético, em especial, os seus
componentes relacionados à oxidação de substratos e à TID, é importante no
controle do peso corporal, e sofre influência do conteúdo calórico e dos
macronutrientes ingeridos.
Por outro lado, a composição da dieta
também pode interferir na ingestão calórica pelo grau de palatabilidade e
poder de saciação e saciedade que proporciona aos alimentos. O conteúdo
calórico total, os tipos de carboidratos e lipídios, a densidade calórica e a
palatabilidade do plano alimentar também devem ser considerados.
Apesar da existência de vários estudos
com o objetivo de identificar a influência da composição da dieta em
componentes do metabolismo energético e na ingestão calórica, bem como a
interação destas variáveis na homeostase energética, as diferenças entre os
efeitos do carboidrato, proteína e lipídio e os mecanismos envolvidos não
estão totalmente esclarecidos. As diferenças metodológicas (dieta, protocolo,
tempo do estudo, características dos participantes) podem ser uma possível
explicação para tais controvérsias. Desta forma, são necessários mais
estudos para identificar os mecanismos e a magnitude dos efeitos dos
macronutrientes no balanço energético para prevenção e controle da obesidade
por meio de uma intervenção dietética adequada.
AGRADECIMENTOS
Nossa equipe agradece a CAPES (Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pela bolsa de mestrado e, a
FAPEMIG (Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais), pelo financiamento do
projeto de pesquisa.
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Recibido: 29/09/2006 Aceptado: 02/04/2007
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