Artículo de Revisión

Incorporação da classificação NOVA na produção científica em alimentação e nutrição na América Latina: uma revisão cienciométrica

Vivian Costa Resende Cunha1* , Camila A. Borges2 , Daniela S. Canella2,3

Resumen

Introdução. Em 2009, foi proposta uma classificação de alimentos, denominada classificação NOVA. Países da América Latina tem se destacado em seu uso nas recomendações nutricionais e agenda regulatória. Objetivo. Avaliar como a produção científica em alimentação e nutrição na América Latina tem incorporado a classificação NOVA. Materiais e métodos. A análise da produção científica foi realizada a partir de trabalhos apresentados no Congresso Latinoamericano de Nutrição (SLAN) nos anos de 2012, 2015 e 2018. Os termos utilizados para a busca foram: NOVA, ultraprocessado, processado, processamento e guia alimentar, nos idiomas português, inglês e espanhol. Após a busca, foram aplicados os critérios de exclusão e inclusão e os resumos selecionados foram descritos de acordo com variáveis analíticas previamente definidas. Resultados. Foram analisados 153, sendo 24 publicados em 2012, 20 em 2015 e 109 em 2018. A maioria dos estudos foram desenvolvidos no Brasil (56,2%) e no México (12,4%) e envolvia adolescentes (28,8%), adultos (21,6%) e alimentos (19,6%) como sujeito/unidade de análise. A maioria dos trabalhos foi classificada na área de Nutrição em Saúde Pública (88,9%), era de natureza observacional (82,3%) e empregava método quantitativo (76,5%). A venda e/ou consumo de alimentos (46,4%) e o ambiente alimentar (24,2%) foram os objetos de estudo mais frequentes. Conclusão. A produção científica que considera a classificação NOVA na América Latina aumentou em 2018, com Brasil e México liderando o desenvolvimento dos estudos. Estudos que explorem a relação da classificação NOVA com o preço dos alimentos, habilidades culinárias e políticas públicas são oportunidades de pesquisa. Arch Latinoam Nutr 2022; 72(2): 109-124.

Palabras clave: América Latina, classificação NOVA, indicadores de produção científica, produção de alimentos, fast foods.


Article review

Incorporation of the NOVA classification into scientific production on food and nutrition in Latin America: a scientometric review

Abstract

Introduction. In 2009, a food classification was proposed, called NOVA classification. Latin American countries have stood out in their use in nutritional recommendations and regulatory agenda. Objective. To evaluate how scientific production in food and nutrition in Latin America has incorporated the NOVA classification. Materials and methods. The analysis of scientific production was carried out from annals at the Latin American Congress of Nutrition (SLAN) in 2012, 2015 and 2018. The terms used for the search were: NOVA, ultra-processed, processed, processing and food guide, in Portuguese, English and Spanish. After the search, the exclusion and inclusion criteria were applied and the selected abstracts were described according to previously defined analytical variables. Results. A total of 153 were analyzed, 24 of which were published in 2012, 20 in 2015 and 109 in 2018. Most studies were carried out in Brazil (56,2%), followed by Mexico (12,4%) and involved adolescents (28,8%), adults (21,6%) and food (19,6%) as subject or unit of analysis. Most of the works were classified in the area of Public Health Nutrition (88,9%), were observational (82,3%) and used a quantitative method (76,5%). The sale and/or consumption of food (46,4%) and the food environment (24,2%) were the most common objects of study. Conclusion. The scientific production that considers the NOVA classification in Latin America increased in 2018, with Brazil and Mexico leading the development of studies. Studies that explore the relationship of NOVA classification to food price, culinary skills and public policy analysis are research opportunities. Arch Latinoam Nutr 2022; 72(2): 109-124.

Key words: Latin America, NOVA classification, scientific production indicators, food production, fast foods.


https://doi.org/10.37527/2022.72.2.005

  1. Programa de Pós-Graduação Alimentação, Nutrição e Saúde (PPG-ANS). Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ);
  2. Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde. Universidade de São Paulo (USP);
  3. Instituto de Nutrição. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
  4. Autor para la correspondencia: Vivian Costa Resende Cunha, E-mail: viviancrcunha@hotmail.com

Introdução

Tradicionalmente, as recomendações alimentares têm sido pautadas na abordagem de nutrientes, baseadas na quantidade de porções de grupos de alimentos fonte dos diferentes nutrientes e expressa, por vezes, em ícones como pirâmides alimentares (1,2). Apesar destas recomendações almejarem a orientação e promoção de uma alimentação saudável e terem sido úteis em um período de carências alimentares, atualmente se tornaram obsoletas. Recomendações alimentares atuais devem levar em conta as mudanças pelas quais os sistemas alimentares e os modos de produção e distribuição de alimentos têm passado e dar ênfase na oferta de alimentos amplamente consumidos pela população (3).

Partindo deste pressuposto e da compreensão de que o paradigma baseado em nutrientes era insuficiente para explicar a relação entre alimentação e doenças crônicas, em 2009, foi proposta uma classificação de alimentos que considera a extensão e o propósito de seu processamento industrial (3,4). Esta classificação, denominada NOVA, agrupa os alimentos em quatro grandes grupos: os alimentos in natura ou minimamente processados, que corresponde aos alimentos inteiros ou que sofreram pequena alteração, como remoção das partes não comestíveis, secagem, moagem, pasteurização, trituração, fracionamento ou congelamento; os ingredientes culinários processados, que são obtidos dos alimentos in natura ou da natureza, como os óleos e gorduras, sal e açúcar; alimentos processados, produzidos a partir da adição de sal, açúcar ou outro ingrediente culinário aos alimentos in natura ou minimamente processados; e alimentos ultraprocessados, formulações industriais cujos ingredientes consistem em substâncias alimentares de uso culinário inexistente ou raro, e em aditivos cuja função é tornar o produto final altamente palatáve (l5).

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) publicou, em 2015, um relatório com a análise da venda de alimentos e bebidas ultraprocessados no comércio varejista em 13 países da América Latina entre os anos 2000 e 2013. Segundo relatório, a venda de ultraprocessadas aumentou nos 13 países analisados (com exceção da Argentina e Venezuela, devido às crises econômicas enfrentadas). A análise também indicou uma relação entre o aumento da venda de alimentos e bebidas ultraprocessados com o aumento do excesso de peso e obesidade na América Latina (6,7). A relação direta entre a venda, a disponibilidade domiciliar, o consumo e o preço dos alimentos ultraprocessados com o excesso de peso e obesidade na população também foi identificada em estudos observacionais conduzidos em países da América Latina, Estados Unidos, Canadá e países da Europa (6-12).

Desde que a classificação NOVA foi publicada, pesquisadores ao redor do mundo vem utilizando-a como referencial teórico fomentando extensa produção científica. Países de renda alta (13,14) tem conduzido estudos para avaliar o impacto do consumo de ultraprocessados na saúde. Na América Latina, destaca-se, por exemplo, estudos realizados no Chile(15), México(16) e Brasil (4,8,12,17) que avaliaram o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados na qualidade da alimentação e em desfechos em saúde. Esses estudos contribuem para gerar evidências sobre a necessidade de implementação de políticas públicas que promovam o aumento no consumo de alimentos in natura ou minimamente processados e limitem o consumo de alimentos ultraprocessados (18).

Países da América Latina, como Brasil, Uruguai e Peru, adotaram a classificação NOVA em seus Guias Alimentares (19-21) e outros, tem se destacado pela formulação de políticas públicas regulatórias que envolvem rotulagem, taxação e regulação da publicidade de alimentos e bebidas ultraprocessados, com vistas à redução do consumo de alimentos ultraprocessados, como o Chile, Peru, Uruguai e México (22-24). Neste sentido, cabe investigar se, em que medida e como a classificação NOVA tem sido incorporada na agenda de pesquisa dos países da região.

Avançar na compreensão do estado de conhecimento sobre um tema a ser explorado, em um determinado período, é de grande relevância para o processo de apreensão da evolução da ciência, contribuindo para que se ordene o conjunto de resultados obtidos e permitindo a articulação de diferentes perspectivas, identificação das contradições e determinação de lacunas. Partindo deste pressuposto e de que a classificação NOVA é relativamente recente (3), a hipótese é que a busca de estudos em anais de um evento científico como o Congresso da Sociedade Latinoamericano de Nutrição (SLAN) poderá refletir, além da produção acadêmica de grupos consolidados, a produção local e de pesquisadores iniciantes as quais podem não estar presente nas bases de dados científicas. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar como a produção científica em alimentação e nutrição na América Latina tem incorporado a classificação NOVA a partir de trabalhos apresentados no Congresso da SLAN.

Materiais e métodos

O presente estudo é de natureza descritiva, combinando a avaliação do “estado da arte”, de natureza qualitativa (25), e uma revisão cienciométrica, envolvendo aspectos quantitativos (26), que buscam responder à pergunta norteadora: “Como a produção científica em alimentação e nutrição na América Latina tem incorporado a classificação NOVA?”.

Foi realizada uma busca dos estudos nos anais do Congresso da SLAN dos anos de 2012 (primeira edição do congresso após a publicação da classificação NOVA), 2015 e 2018 (última edição do congresso realizada). O SLAN é o maior congresso de Nutrição da América Latina, abrangendo todas as áreas temáticas do campo da Nutrição (Ciência Básica e Experimental, Ciência de Alimentos, Nutrição Clínica, Nutrição em Saúde Coletiva e Alimentação Coletiva). Os termos utilizados para a busca, nos idiomas português, inglês e espanhol, foram: NOVA, ultraprocessado, ultra-processed, ultraprocessed, ultraprocesado, ultra-procesado, processado, processed, procesado, processamento, processing, procesamiento, guia alimentar, food guide, dietary guidelines, guía de comida e guía alimentaria.

Após a busca, foram excluídos os resumos duplicados, visto que um resumo pode conter um ou mais termo utilizado para a busca e por isso, ser identificado mais de uma vez. Posteriormente, foi realizada uma análise dos títulos e resumos dos anais do SLAN, excluindo aqueles que não estavam em concordância com a temática do estudo, aqueles que não deixaram claro no título e/ou resumo que foi utilizada a classificação NOVA (por exemplo, aqueles que não especificaram a edição do Guia Alimentar para a População Brasileira utilizada ou utilizaram apenas a palavra industrializado) e os que mencionaram a classificação NOVA na introdução e/ou conclusão, porém este não era o objeto de estudo ou de análise. Foram incluídos os estudos realizados com seres humanos em qualquer faixa etária e ciclo da vida, aqueles de descrição e avaliação de alimentos, dieta, ambientes, instrumentos de aferição e políticas públicas.

Os estudos que se adequaram à temática, a partir da leitura do resumo, foram agrupados nas seguintes variáveis analíticas e em suas categorias: local (país onde o estudo foi desenvolvido); vínculo institucional dos autores (instituição/país do primeiro autor); ano de publicação nos anais; objeto de estudo (adoção em Políticas Públicas; ambiente alimentar; análise do perfil nutricional de alimentos; desenvolvimento/ validade/ reprodutibilidade de instrumento e de modelo teórico; educação alimentar e nutricional; habilidades/práticas culinárias; percepção de saudabilidade de alimentos; preferências alimentares; preço de alimentos; reformulação de produto; venda e/ ou consumo de alimentos; relação entre processamento e estado nutricional e/ou outros desfechos em saúde); natureza da abordagem (observação; intervenção; relato de experiência ou ensaio; revisão; metodológico); método de análise dos dados (quantitativo; qualitativo; misto; não se aplica); área temática (Ciência e Tecnologia de Alimentos; Nutrição Clínica; Nutrição em Saúde Pública; Alimentação Coletiva); e sujeito ou unidade de análise (crianças de 0 a 2 anos; crianças de 2 a 5 anos; crianças de 5 a 10 anos; adolescentes de 10 a 19 anos; adultos de 19 a 60 anos; idosos acima de 60 anos; mulheres em idade reprodutiva; domicílios; profissionais de saúde; profissionais de educação; pais/cuidadores/responsáveis; estudantes universitários; indivíduos com patologia; alimentos; políticas públicas; local de vendas; mídias; indústria de alimentos).

Os dados foram sistematizados e analisados utilizando o programa do Excel, do pacote Microsoft Office, versão 2010, e apresentados em tabelas, com frequência absoluta e relativa, segundo as variáveis analíticas apresentadas. Foi realizada uma síntese narrativa dos resumos selecionados para a revisão cienciométrica e estado da arte.

Resultados

O total de resumos publicados nos anais do Congresso da SLAN nos anos de 2012, 2015 e 2018 foram 1522, 625 e 1341, respectivamente, sendo 24, 20 e 109, respectivamente, aqueles que consideraram a classificação NOVA e foram incluídos na revisão, totalizando 153 trabalhos analisados.

Os estudos selecionados foram desenvolvidos, majoritariamente, no Brasil (56,2%), seguidos do México (12,4%) (Tabela 1). O primeiro autor dos estudos apresentava, em sua maioria, vínculo institucional com instituições brasileiras (62,7%), seguida por instituições mexicanas (11,1%). Ainda, destacam-se como vínculo, no Brasil, a Universidade de São Paulo (26,1%), a Universidade Federal de São Paulo (4,6%), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (4,6%) e o Centro Universitário de Brasília (3,9%), além do Instituto Constarricense de Investigación y Enseñanza em Nutrición y Salud (5,2%), da Costa Rica (dados não apresentados em tabela).

Tabela 1. Distribuição do local (país onde o estudo foi desenvolvido) de resumos publicados nos anais dos Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, 2012, 2015 e 2018.
Tabela 1. Distribuição do local (país onde o estudo foi desenvolvido) de resumos publicados nos anais dos Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, 2012, 2015 e 2018.
* Alguns resumos englobam mais de um país.
** Inclui Austrália, Canadá, Espanha, EUA, Marrocos, Reino Unido e estudo com 19 países.
*** A frequência relativa (%) foi calculada proporcionalmente, considerando n=153

Os objetos de estudo mais frequentes foram venda e/ou consumo de alimentos (46,4%) e ambiente alimentar (24,2%), enquanto os menos frequentes foram: preço dos alimentos (2,0%), reformulação de produtos (2,0%) e habilidades/práticas culinárias (2,0%) (Tabela 2).

Tabela 2. Distribuição dos objetos de estudo de resumos publicados nos anais dos Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, 2012, 2015 e 2018.
Tabela 2. Distribuição dos objetos de estudo de resumos publicados nos anais dos Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, 2012, 2015 e 2018.
* Alguns estudos envolvem mais de uma categoria.
** A frequência relativa (%) foi calculada proporcionalmente, considerando n=153.

Quanto à natureza de abordagem, os estudos eram, majoritariamente, observacionais (82,3%) e o método para análise de dados predominante foi o quantitativo (76,5%). A grande maioria dos estudos foram classificados na área temática de Nutrição em Saúde Pública (88,9%) e apenas um estudo na área de Alimentação Coletiva (0,6%) (Tabela 3).

Tabela 3. Distribuição da natureza da abordagem, método de análise dos dados e área temática de resumos publicados nos anais dos Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, 2012, 2015 e 2018.
Tabela 3. Distribuição da natureza da abordagem, método de análise dos dados e área temática de resumos publicados nos anais dos Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, 2012, 2015 e 2018.

Em relação aos sujeitos e/ou unidade de análise, a maioria dos estudos envolvia adolescentes (28,8%), adultos (21,6%), alimentos (19,6%) e crianças de 5 a 10 anos (17%). Poucos estudos analisaram indivíduos com patologias (0,6%) e indústria de alimentos (1,3%) (Tabela 4).

Tabela 4. Distribuição dos sujeitos ou unidades de análise de resumos publicados nos anais dos Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, 2012, 2015 e 2018.
Tabela 4. Distribuição dos sujeitos ou unidades de análise de resumos publicados nos anais dos Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, 2012, 2015 e 2018.
* Alguns estudos envolvem mais de uma categoria
** A frequência relativa (%) foi calculada proporcionalmente, considerando n=153

Discussão

Este estudo realizou uma revisão cienciométrica para avaliar o estado da arte sobre a incorporação da classificação NOVA na produção científica na América Latina. Pode-se observar um volume crescente de estudos que incorporaram a classificação na América Latina, especialmente no ano de 2018, representando um aumento de 445% comparado com o ano de 2015. Como hipótese para esse aumento podemos citar três principais fatores: a publicação da segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira, em 2014 (19), que considera a classificação NOVA como um de seus referenciais teóricos; a proposta do “Modelo de perfil nutricional” publicado em 2016 pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS), a qual adota critérios para avaliar alimentos processados e ultraprocessados em relação ao excesso de nutrientes críticos (sódio, açúcares livres, edulcorantes, gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans) (27); e avanços na agenda regulatória com a regulamentação para taxação das bebidas não alcoólicas com adição de açúcar, implementada no México, em 2014, e nos anos seguintes, as legislações aprovadas para rotulagem frontal de advertência de alimentos processados e ultraprocessados, tendo o Chile como pioneiro, em 2016, seguido por Uruguai e Peru, em 2018, e por último, o México, em 2020 (21-23).

A literatura tem mostrado uma relação, cada vez mais robusta, entre o consumo de alimentos ultraprocessados, obesidade e desfechos negativos para a saúde, como o aumento das doenças crônicas nãotransmissíveis (DCNT) (6,10,14,15,28-30). Diante destas evidências e da relevância desse conhecimento para lidar com os problemas de saúde pública atuais, os estudos publicados nos anais dos Congressos da SLAN foram majoritariamente classificados na área temática de Nutrição em Saúde Pública e os objetos de estudo mais frequentes foram a venda e/ou consumo de alimentos e o ambiente alimentar.

Poucos estudos encontrados tiveram como objeto de estudo as habilidades/práticas culinárias, a reformulação de produtos e o preço dos alimentos. Ainda que o conhecimento sobre venda e/ou consumo dos alimentos, ambiente alimentar e perfil nutricional dos alimentos (maioria dos objetos de estudos contemplados) seja fundamental para a compreensão de um panorama sobre a alimentação da população e para propostas de políticas públicas que favoreçam uma alimentação saudável, o desenvolvimento de habilidades e práticas culinárias são fundamentais para a substituição do consumo de alimentos ultraprocessados por alimentos in natura ou minimamente processados (31). Portanto, embora tenha sido pouco explorado nos estudos avaliados, este objeto de estudo merece atenção e é uma oportunidade de pesquisa importante para a ciência na América Latina.

A reformulação de produtos, que também foi pouco referida nos estudos analisados, se refere a políticas e práticas que visam reduzir a quantidade de um conjunto de nutrientes críticos. Apesar da reformulação de produtos ser apontada em alguns estudos como uma alternativa para promoção de uma alimentação mais saudável pela proposta de redução dos nutrientes críticos, a literatura tem sugerido cautela ao considerar esta estratégia como favorável à saúde (32). A redução de nutrientes críticos poderia melhorar a qualidade nutricional dos alimentos processados, entretanto, quando se trata de alimentos ultraprocessados, sua redução não resultará, necessariamente, na produção de alimentos nutritivos, uma vez que a sua substituição pode se dar por outro ingrediente de uso industrial (por exemplo, aditivos), potencialmente nocivo (34). Esta proposta também pode legitimar, endossar e até promover, ao invés de inibir, o consumo de alimentos ultraprocessados, especialmente em países com mercados emergentes no Sul global, onde a distribuição e consumo dos alimentos ultraprocessados continuam crescendo rapidamente (32).

Uma revisão sistemática analisou a literatura disponível sobre o ambiente alimentar na América Latina e também encontrou uma baixa publicação de estudos sobre o preço dos alimentos (33). Em países de renda alta, como os EUA e o Reino Unido, o preço de uma alimentação baseada em alimentos ultraprocessados ainda é mais barata comparada a uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados (34,35). No Brasil, a literatura tem sugerido o inverso, entretanto, a manutenção deste cenário não está clara (36,37). Maia et al. (36) (2020) sugerem que os alimentos ultraprocessados se tornarão mais baratos que os alimentos in natura ou minimamente processados a partir de 2026, no Brasil. Diante das particularidades econômicas, políticas e sociais da América Latina, é importante que a literatura científica da região sobre este tema seja adensada, a fim de avaliar se o preço dos alimentos é um determinante da obesidade ou das desigualdades da obesidade nos países e contribuir para a formulação de intervenções e desenvolvimento de políticas de alimentação e nutrição que visam taxação e ou redução de preço (11).

A produção científica sobre a classificação NOVA foi desenvolvida majoritariamente no Brasil e no México. Estes países se destacam dos demais da América Latina, dentre outras razões, pela realização periódica de pesquisas representativas, com dados nacionais antropométricos e alimentares da população mexicana (38,39) e da população brasileira (40,41) que permitem realizar análises com dados representativos da população. Um maior conhecimento epidemiológico da população oriundo destas pesquisas pode justificar, em parte, um maior engajamento para a produção científica local. Ademais, a classificação NOVA foi proposta por um grupo de pesquisadores brasileiros (3,4) e é o referencial teórico que embasa as diretrizes nacionais de alimentação saudável para população brasileira (19,42).

No Brasil, as instituições que mais conduziram os estudos estão localizadas na região Sudeste do país. A região Sudeste concentra 62,4% dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) presentes no Brasil (43), além de concentrar um maior quantitativo de programas de pós-graduação de mestrado e doutorado. Como consequência, os investimentos na ciência também são maiores e representaram cerca de metade dos investimentos das agências de fomento do país (44).

Os estudos avaliados foram predominantemente do tipo observacional e o método de análise quantitativo predominante. A grande maioria dos estudos que utilizaram uma abordagem qualitativa (11,1%) buscaram avaliar a percepção sobre as conquistas e desafios enfrentados pela adoção das Políticas Públicas e a percepção da população, sobre a segurança alimentar e nutricional. A natureza observacional e o método quantitativo são frequentemente encontrados nos estudos que contemplam a área de Nutrição em Saúde Pública, maioria dos trabalhos encontrados neste estudo, uma vez que determinam a distribuição de doenças ou condições relacionadas à saúde, exploram associações e muitas vezes utilizam base de dados secundários, tornando-os importantes ferramentas para investigações epidemiológicas.

O público mais analisado nos estudos foram os adolescentes, seguido dos adultos e crianças de 5 a 10 anos. Embora a literatura tenha apontado um baixo investimento da América Latina e Caribe na primeira infância (crianças de 0 a 6 anos), correspondente a 1/3 quando comparado com o investimento em crianças de 5 a 10 anos, quase 1/3 dos trabalhos analisados estudaram este público – somando os grupos de criança de 0 a 2 anos e de 2 a 5 anos. Evidências apontam que o investimento na primeira infância é a melhor maneira de reduzir as desigualdades e tem uma elevada taxa de retorno para a sociedade (45).

Apesar da evolução significativa nos últimos anos da produção científica sobre a classificação NOVA nos anais do Congresso da SLAN, a partir desta revisão observa-se como oportunidades para futuras pesquisas: a avaliação de políticas públicas, para monitorar os regulamentos existentes e subsidiar novas políticas; estudos que realizem análise de publicidade de alimentos presente na mídia, não apenas a televisiva e a impressa, mas principalmente entre conteúdos digitais que também são importantes para melhor compreensão sobre o ambiente alimentar atual nas práticas alimentares; além de estudos sobre o preço dos alimentos e habilidades culinárias. O desenvolvimento de estudos de intervenção e o uso de métodos qualitativos em pesquisa utilizando a classificação NOVA também serão importantes para suprir uma lacuna da literatura latino-americana.

Conclusão

A partir desta revisão, conclui-se que a produção científica que considera a classificação NOVA na América Latina tem aumentado de maneira expressiva nos últimos anos. Há uma concentração no desenvolvimento dos estudos no Brasil e no México e na área temática de Nutrição em Saúde Pública. Os temas mais estudados foram a venda e/ou consumo de alimentos e ambiente alimentar e observa-se como oportunidade de pesquisas para a área o estudo do preço dos alimentos, habilidades culinárias e a análise de políticas públicas bem como estudos qualitativos e de intervenção que utilizem a classificação NOVA entre os seus referenciais teóricos.

Agradecimentos

O projeto foi realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), por meio do pós-doutorado da primeira autora (VCRC), portanto, agradecemos a Instituição pelo suporte necessário para realização da pesquisa. Ainda, o estudo contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) (processo número E-26/202.667/2018).

Conflitos de interesse

As autoras não possuem conflitos de interesse ao presente trabalho.

REFERENCIAS

  1. Welsh S, Davis C, Shaw A. Development of the food guide pyramid. Nutritional Today. 1992; 27(6):12-23. Doi: 10.1097/00017285-199211000-00005
  2. Phillipi ST, Latterza AR, Cruz ATR, Ribeiro LC. Pirâmide alimentar adaptada: guia para escolha dos alimentos. Rev Nutr. 1999; 12(1):65-80. Doi: 10.1590/S1415-52731999000100006
  3. Monteiro CA. Nutrition and health. The issue is not food, nor nutrients, so much as processing. Public Health Nutr. 2009; 12:729-731. Doi: 10.1017/S1368980009005291.
  4. Monteiro CA, Levy RB, Claro RM, de Castro IRR, Cannon G. A new classification of foods based on the extent and purpose of their processing. Cad Saúde Publica. 2010; 26(11):2039-2049. Doi: 10.1590/S0102-311X2010001100005
  5. Monteiro CA, Cannon G, Levy RB, Mourabac JC, Louzada ML, Rauber F, et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutr. 2019; 22(5):936-941. Doi: 10.1017/S1368980018003762
  6. Pan American Health Organization. Ultra-processed food and drink products in Latin America: Trends, impact on obesity, policy implications. Washington (DC): PAHO, 2015.
  7. Pan American Health Organization. Ultra-processed food and drink products in Latin America: Sales, sources, nutrient profiles, and policy implications. Washington (DC): PAHO. 2019.
  8. Canella DS, Levy RB, Martins APB, Claro RM, Moubarac JC, Baraldi LG, et al. Ultra-processed food products and obesity in Brazilian households (2008-2009). Plos One. 2014; 9(3):e92752. Doi: 10.1371/journal.pone.0092752
  9. Juul F, Martinez-Steele E, Parekh N, Monteiro CA, Chang VW. Ultra-processed food consumption and excess weight among US adults. Br J Nutr. 2018; 120(1):90-100. Doi: 10.1017/S0007114518001046
  10. Monteiro CA, Cannon G, Lawrence M, Costa Louzada ML, Pereira Machado P. 2019b. Ultra-processed foods, diet quality, and health using the NOVA classification system. Rome, FAO.
  11. Dos Passos CM, Maia EG, Levy RB, Marting APB, Claro RM. Association between the price of ultra-processed food and obesity in Brazil. Nutr Metab Cardiovasc Dis.. 2020; 30(4):589-598. Doi: 10.1016/j.numecd.2019.12.011
  12. Canhada SL, Luft VC, Giatti L, Duncan BB, Chor D, Fonseca MJMD, et al. Ultra-processed foods, incidente overweight and obesity, and longitudinal changes in weight and waist circumference: the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). Public Health Nutr. 2020; 23(6):1076-1086. Doi: 10.1017/S1368980019002854
  13. Askari M, Heshmati J, Shahinfar H, Tripathi N, Daneshzad E. Ultra-processed food and the risk of overweight and obesity: a systematic review and meta-analysis of observational studies. Int J Obes. 2020; 44(10):2080-2091. Doi: 10.1038/s41366-020-00650-z
  14. Chen X, Zhang Z, Yang H, Qiu P, Wang H, Wang F, et al. Consumption of ultra-processed foods and health outcomes: a systematic review of epidemiological studies. Nutr J. 2020; 19(1):86. Doi: 10.1186/s12937-020-00604-1
  15. Cediel G, Reyes M, Corvalán C, Levy RB, Uauy R, Monteiro CA. Ultra-processed foods drive to unhealthy diets: evidence from Chile. Public Health Nut. 2021, 24(7):1698-1707. Doi: 10.1017/S1368980019004737
  16. Marrón-Ponce JA, Flores M, Cediel G, Monteiro CA, Batis C. Associations between consumption of ultra-processed foods and intake of nutrients related to chronic non-communicable diseases in Mexico. J Acad Nutr Diet. 2019. S2212-2672(18)31402-3. Doi: 10.1016/j.jand.2019.04.020
  17. Louzada MLC, Ricardo CZ, Steele EM, Levy RB, Cannon G, Monteiro CA. The share of ultra-processed foods determines the overall nutritional quality of diets in Brazil. Public Health Nutr.2018; 21(1), 94–102. Doi: 10.1017/S1368980017001434.
  18. Moubarac JC, Parra DC, Cannon G, Monteiro CA. Food classification systems based on food processing: significance and implications for policies and actions: a systematic literature review and assessment. Curr Obes Rep. 2014; 3(2):256-272. Doi: 10.1007/s13679-014-0092-0
  19. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia Alimentar para a população Brasileira – 2ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
  20. Uruguay. Ministerio de Salud. Dirección General de la Salud. Área Programática Nutrición. Guía Alimentaria para la Población Uruguaya: para una alimentación saludable, compartida y placentera. Montevideo: Ministerio de Salud, 2016.
  21. Perú. Ministerio de Salud. Instituto Nacional de Salud. Guías alimentarias para la población peruana. Lima: Ministerio de Salud, 2019.
  22. Chile. Ministerio de Salud. Ley de Alimentos. 2016.
  23. Perú. Ministerio de Salud. Manual de Advertencias Publicitarias del Reglamento de la Ley no. 30021, Ley de Promoción de la Alimentación Saludable para niños, niñas y adolescentes.
  24. México. Secretaría de Economía. Modificación a la Norma Oficial Mexicana NOM-051-SCFI/SSA1-2010, Especificaciones generales de etiquetado para alimentos y bebidas no alcohólicas preenvasados-Información comercial y sanitaria. México, D.F., 18 de febrero de 2010. Diario Oficial, 5 de abril de 2010.
  25. Ferreira NSA. As pesquisas denominadas “estado da arte”. Educ Soc. 2002; 79:257-272. Doi: 10.1590/S0101-73302002000300013
  26. Macias-Chapula CA. O papel da infometria e da cienciometria e sua perspectiva nacional e internacional. Ci Inf. 1998; 27(2):134-140. Doi: 10.1590/S0100-19651998000200005
  27. Pan American Health Organization. Nutrient Profile Model. Washington (DC): PAHO, 2016.
  28. Elisabeth L, Machado P, Zinocker M, Baker O, Lawrence M. Ultra-processed foods and health outcomes: a narrative review. Nutrients. 2020; 12(7):1955. Doi: 10.3390/nu12071955
  29. Lane MM, Davis JA, Beattie S, Gómez-Donoso C, Loughman A, O´Neil A, et al. Ultra processed food and chronic noncommunicable diseases: a systematic review and meta-analysis of 43 observational studies. Obes Rev. 2021; 22(3):e13146. Doi: 10.1111/obr.13146
  30. Pagliai G, Dinu M, Madarena MP, Bonaccio M, Iacoviello L, Sofi F. Consumption of ultra-processed foods and health status: a systematic review and meta-analysis. Br J Nutr. 2021; 125(3):308-318. Doi: 10.1017/S0007114520002688
  31. Lam MCL, Adams J. Association between home food preparation skills and behavior and consumption of ultra-processed foods: cross-sectional analysis of the UK National Diet and nutrition survey (2008-2009). Int J Behav Nutr Phys Act. 2017; 14(1):68. Doi: 10.1186/s12966-017-0524-9
  32. Scrinis G, & Monteiro CA. Ultra-processed foods and the limits of product reformulation. Public Health Nutr. 2018; 21(1):247-252. Doi: 10.1017/S1368980017001392
  33. Pérez-Ferrer C, Auchincloss AH, de Menezes MC, Kroker-Lobos MF, Cardoso LO, Barrientos-Gutierrez T. The food environment in Latin America: a systematic review with a focus on environments relevant to obesity and related chronic diseases. Public Health Nutr. 2019; 22(18):3447-3464. Doi: 10.1017/S1368980019002891
  34. Morris MA, Hulme C, Clarke GP, Edwards KL, Cade JE. What is the cost of a healthy diet? Using diet data from the UK women’s cohort study. J Epidemiol Community Heath. 2014; 68(11):1043-1049. Doi: 10.1136/jech-2014-204039
  35. Drewnowski A. The cost of US foods as related to their nutritive value. Am J Clin Nutr. 2010; 92(5):1181–1188. Doi: 10.3945/ajcn.2010.29300
  36. Maia EG, dos Passos CM, Levy RB, Martins APB, Mais LA, Claro RM. What to expect from the price of healthy and unhealthy foods over time? The case from Brazil. Public Health Nutr. 2020; 23(4):579-588. Doi: 10.1017/S1368980019003586
  37. Claro RM, Maia EG, Costa BVL, Diniz DP. Preço dos alimentos no Brasil: prefira preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. Cad. Saúde Pública. 2016; 32(8):e00104715. Doi: 10.1590/0102-311X00104715
  38. Romero-Martínez M, Shamah-Levy T, Vielma-Orozco E, Heredia-Hernández O, Mojica-Cuevas J, Cuevas-Nasu L, et al. Encuesta Nacional de Salud y Nutrición 2018-19: metodología y perspectivas. Salud Pública de México. 2019; 61(6): 917-923. Doi: 10.21149/11095
  39. Romero-Martínez M, Shamah-Levy T, Franco-Núñez A. Encuesta Nacional de Salud y Nutrición 2012: diseño y cobertura. Salud Pública de México. 2013; 55(Supl.2): S332-S340. Doi: 10.21149/spm.v55s2.5132
  40. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa de Orçamentos Familiares: 2008-2009. Antropometria e estado nutricional de crianças, adolescentes e adultos no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 130p, 2010.
  41. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 56p, 2020.
  42. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção à Saúde. Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  43. Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2016-2022. Brasília: MCTIC, 2016.
  44. Da Silva LL, Azevedo Filho ET, da Hora HRM. Financiamento de ciência e tecnologia: uma análise sobre a região Sudeste. Cad Desenvolvimento Fluminense. 2019; 17:11-25.
  45. Black MM, Walker SP, Fernald LCH, Andersen CT, DiGirolamo AM, Lu C, et al. Early childhood development coming of age: science through the life course. Lancet. 2017; 389(10064):77–90. Doi: 10.1016/S0140-6736(16)31389-7

Recibido: 26/08/2021
Aceptado: 22/02/2022

Material Suplementar

Quadro 1. Resumos selecionados dos anais do Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, de 2012.
Quadro 1. Resumos selecionados dos anais do Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion, de 2012.
*Os nomes dos autores foram apresentados da forma como constam nos Anais.

Quadro 2. Resumos selecionados dos anais do Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion de 2015.
Quadro 2. Resumos selecionados dos anais do Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion de 2015.
*Os nomes dos autores foram apresentados da forma como constam nos Anais.

Quadro 3. Resumos selecionados dos anais do Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion de 2018.
Quadro 3. Resumos selecionados dos anais do Congressos da Sociedade Latinoamericana de Nutricion de 2018.
*Os nomes dos autores foram apresentados da forma como constam nos Anais.